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Meta fiscal de 2026 pode ser cumprida, mas com algum esforço de arrecadação, diz IFI

Meta fiscal de 2026 pode ser cumprida, mas com algum esforço de arrecadação, diz IFI

19/11/2025 às 12h38
Por: Redação Fonte: Estadão Conteúdo
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Meta fiscal de 2026 pode ser cumprida, mas com algum esforço de arrecadação, diz IFI

Meta fiscal de 2026 pode ser cumprida, mas com algum esforço de arrecadação, diz IFI.

 

Para fechar as contas, o governo precisa assegurar a aprovação de medidas que podem incrementar a arrecadação anual em R$ 19 bilhões; IFI alerta para a qualidade do ajuste.

O governo federal deverá cumprir as regras fiscais em 2026, com um “diligente esforço” que dependerá da aprovação de medidas de arrecadação que ainda tramitam no Congresso Nacional, aponta o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) divulgado nesta quarta-feira (19) pela Instituição Fiscal Independente (IFI). 

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Segundo o documento, o cenário se baseia nos abatimentos legais e na estratégia de mirar o limite inferior da margem de tolerância da meta fiscal.

Para fechar as contas em 2026 — um ano eleitoral que, segundo a IFI, “diminui o espaço político e institucional para reformas e mudanças fiscais mais profundas” —, o governo precisará aprovar medidas que podem incrementar a arrecadação anual em R$ 19 bilhões.

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De acordo com a IFI, será preciso um esforço adicional nas semanas finais deste ano para aprovar um projeto de lei (PL182/2025) que reduz os gastos tributários dando fim a algumas isenções de impostos, além de aumentar a tributação para compensar o fim da validade da Medida Provisória 1303, que iria recompor as perdas de arrecadação do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF).

Para isso, o governo prevê aumentar os impostos sobre LCAs, LCIs, BETs, e fintechs, de acordo com a proposta orçamentária que tramita no Congresso.

Ajuste pouco ambicioso e risco de credibilidade

Apesar da perspectiva de cumprimento formal das regras, a IFI é cautelosa quanto à qualidade do ajuste. “Estamos longe de um ajuste fiscal mais ambicioso que produza o ambiente necessário para a concretização de dois objetivos estratégicos para o País: a estabilização da dívida pública e a retomada vigorosa da capacidade de investimento do governo central”.

A instituição alerta para o risco à credibilidade da política fiscal, já que constantemente são abertas exceções para os gastos. O mecanismo previsto no Arcabouço Fiscal, que deveria minimizar o impacto de despesas extras, vem sendo usado de forma excessiva, segundo o relatório, o que fragiliza a regra.

“Embora exceções possam ocorrer em razão de medidas imprevisíveis, a instituição de exceções por medidas previsíveis indica fragilidade da regra e atacam um sintoma, em vez da causa desses desequilíbrios”, diz o documento.

Outro ponto se refere à estratégia de buscar o limite inferior da meta de resultado primário, chamada de banda de tolerância. Isso ocorre quando o governo tem um objetivo para fechar as contas públicas, mas impõe uma “margem de erro”. O problema é que, nos últimos anos, o objetivo tem se deslocado para a meta inferior – a margem de erro “para menos” – em vez de se concentrar na meta em si.

Segundo a IFI, essa prática pode acarretar mais riscos na ocorrência de choques que reduzam a receita ou aumentem a despesa, além de funcionar, na prática, como um desvio em relação à meta fixada nas diretrizes orçamentárias.

O relatório conclui que a inclusão de exceções e brechas “atacam um sintoma, em vez da causa desses desequilíbrios” e podem prejudicar a função essencial das regras fiscais: ancorar as expectativas dos agentes econômicos.

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