
Presidente detalha plano para financiar conservação, ampliar metas de emissões e reformar governança global no dia em que começa a cúpula de lideranças mundiais em Belém.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que as conferências do clima deixem de ser apenas espaços de debate e passem a gerar resultados concretos. “As COPs não podem ser apenas uma feira de boas ideias, nem uma viagem anual dos negociadores. Elas devem ser o momento de contato com a realidade e de ação efetiva no enfrentamento à mudança do clima”, escreveu em artigo publicado nesta quinta-feira (6) no jornal O Globo, dia de abertura da Cúpula de Líderes, que antecede a COP30 em Belém.
No texto, Lula falou sobre o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), o carro-chefe do governo para o evento, voltado à preservação das florestas por meio de um modelo de investimento, e não de doação. O fundo remunerará tanto quem mantém áreas preservadas quanto quem aportar recursos, e o Brasil deve investir US$ 1 bilhão na iniciativa.
Segundo informações da agência Reuters, a Alemanha apoia fundamentalmente a iniciativa, mas ainda não decidiu com quanto contribuirá.
O presidente Lula também destacou que o Brasil reduziu pela metade o desmatamento na Amazônia em dois anos e que o país será o segundo do mundo a apresentar uma nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). A meta é cortar entre 59% e 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2030, abrangendo todos os setores da economia.
Lula argumentou que o financiamento climático deve seguir o princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, com maior participação dos países desenvolvidos. Segundo ele, as nações ricas “foram as maiores beneficiadas pela economia baseada em carbono” e precisam contribuir de forma proporcional.
O texto também defende direcionar parte dos recursos da exploração de petróleo para acelerar a transição energética e reforça o papel do Brasil como produtor de energia limpa, atualmente com 88% da eletricidade proveniente de fontes renováveis.
Entre as propostas institucionais, Lula sugere a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU, vinculado à Assembleia Geral, para garantir que compromissos assumidos nas conferências sejam cumpridos. Ele anunciou ainda uma “Declaração sobre Fome, Pobreza e Clima”, a ser lançada durante a cúpula, relacionando as metas ambientais ao combate às desigualdades.
“O mundo volta à Amazônia para discutir a mudança do clima”, escreveu o presidente. “É chegada a hora dos planos de ação.”
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