
Protestos uniram sindicatos, paralisaram transportes, fecharam farmácias e colocam pressão sobre o novo premiê Sébastien Lecornu em meio à crise política e fiscal.
Cerca de 800 mil a 1 milhão de trabalhadores participaram nesta quinta-feira (18) da maior greve dos últimos anos na França, segundo estimativas de sindicatos e autoridades. A mobilização nacional, marcada por paralisações em escolas, transportes e serviços de saúde, protesta contra cortes orçamentários de € 44 bilhões (R$ 274 bilhões) e ocorre no início do mandato do primeiro-ministro Sébastien Lecornu.
As manifestações se espalharam por mais de 250 cidades francesas, incluindo Paris, Lyon, Lille e Marselha. O Ministério do Interior mobilizou 80 mil policiais diante do risco de confrontos, que chegaram a ocorrer em pontos da capital e de outras regiões. Mais de 140 pessoas foram detidas.
O transporte público foi um dos setores mais afetados. Em Paris, linhas de metrô e trens regionais foram fechadas após 91% dos motoristas apresentarem aviso de greve. Voos foram pouco impactados, já que sindicatos do setor aéreo transferiram a paralisação para outubro. Escolas também ficaram sem aulas, com adesão de cerca de um terço dos professores. Já as farmácias permaneceram quase todas fechadas — 98% não abriram as portas.
Empresas estratégicas participaram da paralisação. A estatal EDF reduziu a produção de energia nuclear em 1,1 gigawatt, como parte das ações sindicais.
A origem do movimento está nos cortes anunciados pelo ex-primeiro-ministro François Bayrou, derrubado por voto de desconfiança no início do mês. O plano previa congelamento de aposentadorias, aumento de custos com saúde e até a eliminação de dois feriados nacionais para reduzir a dívida pública, hoje em 114% do PIB.
Embora Lecornu tenha prometido rever pontos impopulares, como a proposta de extinguir feriados, sindicatos temem que parte das medidas de austeridade seja mantida. Representantes pedem mais recursos para serviços públicos e taxação maior sobre grandes fortunas e empresas.
A França vive instabilidade desde as eleições antecipadas de 2024, que resultaram em um Parlamento dividido entre esquerda, centro e extrema-direita, sem maioria clara. Bayrou foi o segundo premiê a cair em menos de um ano por causa de disputas sobre o orçamento.
Agora, Lecornu tenta negociar um texto orçamentário capaz de evitar nova rejeição no Legislativo, enquanto enfrenta popularidade baixa. O Partido Socialista cobra “fim dos cortes severos” e contribuição maior dos mais ricos, enquanto a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, afirmou que, se o governo mantiver a mesma linha, “ele cairá”.
A pressão também vem do mercado. Na semana passada, a Fitch rebaixou a nota de crédito da França citando instabilidade política e dúvidas sobre o ajuste fiscal.
Lecornu tem até o início de outubro para apresentar o novo orçamento. Seu primeiro discurso no Parlamento está marcado para 2 de outubro. Sindicatos prometem manter a mobilização até que os planos de austeridade sejam descartados.
As próximas semanas serão decisivas para a capacidade do governo francês de reduzir o déficit, recuperar confiança dos mercados e evitar nova crise de governabilidade.
(Com Le Monde e Associated Press)
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