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Governo Lula foca em polarização política nos EUA para proteger país de novas sanções

Governo Lula foca em polarização política nos EUA para proteger país de novas sanções

13/09/2025 às 09h02
Por: Redação Fonte: infomoney
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Governo Lula foca em polarização política nos EUA para proteger país de novas sanções

Governo Lula foca em polarização política nos EUA para proteger país de novas sanções.

 

Com portas da Casa Branca fechada, diplomatas brasileiros reforçam contatos com parlamentares da oposição ao governo americano.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva conta com o acirramento da polarização política nos Estados Unidos, com baixa aprovação do presidente Donald Trump e viés de alta na popularidade de Lula, para tentar escapar do tarifaço americano. Interlocutores envolvidos no assunto afirmam que este momento deve ser aproveitado com o reforço dos contatos com congressistas da oposição a Trump.

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A avaliação é que, com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira, a crise escalou, com o aumento de ameaças e ataques ao Judiciário brasileiro. Assim que terminou o julgamento de Bolsonaro, Trump declarou que a decisão do Supremo foi “terrível”. Nas redes sociais, o secretário de Estado, Marco Rubio, sinalizou que novas sanções devem ser aplicadas a autoridades brasileiras, e seu vice, Christopher Landau, escreveu que as relações entre Brasil e EUA estão no “ponto mais sombrio em dois séculos”.

Com as portas da Casa Branca fechadas, os diplomatas e negociadores brasileiros buscam não apenas parlamentares do Partido Democrata. Têm mantido contatos com os congressistas do chamado “caucus Brazil” — grupo informal de deputados e senadores, democratas e republicanos (legenda de Trump), com interesse em temas relacionados ao Brasil.

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Integrantes do governo Lula afirmam que os contatos com Washington, para que seja negociado um acordo que amplie a quantidade de produtos brasileiros livres da sobretaxa de 50% em vigor desde o mês passado, continuam, mas são infrutíferos. Até o julgamento de Bolsonaro, a Casa Branca condicionava uma conversa ao arquivamento do processo contra o ex-presidente.

Com a condenação do ex-presidente a 27 anos de prisão, não se sabe o que os EUA farão a partir de agora. A expectativa é que novas sanções contra autoridades brasileiras sejam adotadas. Hoje, o principal alvo é o ministro do STF Alexandre de Moraes, que é relator da ação contra Bolsonaro.

Diante desse cenário, a estratégia é angariar apoio de quem está aberto ao diálogo com o governo brasileiro — no caso, a oposição. De acordo com diplomatas ouvidos pelo GLOBO, a impressão é de que os democratas se deram conta da relevância do tema e do “gritante absurdo” que é essa ofensiva contra o Brasil.

Um movimento comemorado em Brasília foi de um grupo de deputados democratas americanos, que publicaram uma carta, na noite de quinta-feira, em que acusam Trump de usar o tarifaço contra o Brasil para proteger Bolsonaro. Os EUA deveriam apoiar o povo brasileiro e não interferir nas instituições democráticas brasileiras, “tendo imposto uma tarifa ilegal de 50% ao país para manipular esse processo judicial”.

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