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Qual recado a Amazon dá para empresas de e-commerce ao comprar fatia do Rappi?

Qual recado a Amazon dá para empresas de e-commerce ao comprar fatia do Rappi?

09/09/2025 às 14h16
Por: Redação Fonte: infomoney
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Qual recado a Amazon dá para empresas de e-commerce ao comprar fatia do Rappi?

Qual recado a Amazon dá para empresas de e-commerce ao comprar fatia do Rappi?.

 

Amazon reforça estratégia de “última milha” ao comprar parte do Rappi.

A Amazon adquiriu na segunda-feira (8) uma participação na empresa colombiana de entregas Rappi, por meio de uma nota conversível de US$ 25 milhões, com potencial para adquirir até 12% da empresa se metas específicas forem atingidas. A parceria une a infraestrutura de varejo e tecnologia do gigante do e-commerce com uma das empresas de entrega mais conhecidas da América Latina.

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O Bradesco BBI destaca que a Amazon já investiu antes nesse segmento, reforçando logística, portfólio e benefícios do Prime, além de abrir novos modelos de negócio. No México, a empresa mantém parceria com a Rappi, oferecendo o Rappi Pro a membros Prime.

A equipe de research do banco avalia que o investimento reforça sua visão de que a concorrência no cenário de e-commerce da América Latina continua acirrada. Para a Amazon, ser parceira de plataformas de comércio rápido tem precedentes: Deliveroo (2019) e GrubHub (2022).

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O BBI acredita que a justificativa do acordo se baseia principalmente na alta frequência de compras da categoria e enriquece a proposta do Amazon Prime aos clientes (por exemplo, cupons para entrega de comida).

Embora provavelmente não seja o foco inicial, também não descartamos potenciais sinergias logísticas, especialmente para a etapa final de entrega, chamada “last mile” (última milha, na tradução para português) da Amazon, já que a Rappi é especializada no formato de comércio rápido, oferecendo entregas ultrarrápidas (até 15 minutos) para categorias selecionadas.

No geral, apesar do impacto inicial limitado em sua cobertura, já que apenas a Magazine Luiza (MGLU3) está diretamente exposta à entrega de alimentos (a AiQFome representou cerca de 2% do GMV de 2024), a mensagem, mais do que a notícia em si, reforça a visão de um cenário competitivo acirrado na América Latina e da crescente conscientização da Amazon sobre oportunidades/lacunas a serem preenchidas na região.

Com foco mais no poder de geração de resultados, o BBI reafirma que o Mercado Livre (BDR: MELI34) oferece os melhores retornos de médio a longo prazo em comparação com as empresas em seu universo de cobertura.

O Santander considera que a iniciativa representa passos iniciais na fase pós-logística, em que a competição entre marketplaces online migra da escala logística para a densidade de entregas ultra-rápidas. O banco avalia que o impacto de curto prazo sobre o Mercado Livre é limitado, mas que o risco de médio prazo merece acompanhamento.

Segundo o Santander, os elevados investimentos em logística pelos marketplaces líderes ainda estão em curso, e o próximo desafio provavelmente se concentrará em compras instantâneas de itens como refeições, supermercado, farmácia e conveniência.

No mercado brasileiro, o iFood mantém posição dominante, enquanto a Rappi se apresenta como concorrente credível. Entrantes chineses também observam o setor, com a Meituan sinalizando um investimento plurianual no país por meio da Keeta. A aquisição recente de uma farmácia pelo Mercado Livre em São Paulo indica, para o banco, um interesse crescente no segmento farmacêutico e, eventualmente, no setor de conveniência e entregas ultra-rápidas.

O Santander mantém sua recomendação de compra para Mercado Livre, com preço-alvo de US$ 3.200,00, considerando a amplitude do ecossistema da empresa e a economia ainda desafiadora para players de última milha, como iFood e Rappi. No entanto, o banco alerta que a maior intensidade de subsídios e a competição por entregadores podem se tornar um tema relevante a partir de 2026.

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