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Após Motta ser cobrado por anistia, oposição tenta fazer Câmara definir relator

Após Motta ser cobrado por anistia, oposição tenta fazer Câmara definir relator

08/09/2025 às 07h14
Por: Redação Fonte: infomoney
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Após Motta ser cobrado por anistia, oposição tenta fazer Câmara definir relator

Após Motta ser cobrado por anistia, oposição tenta fazer Câmara definir relator.

 

Líder do PL vai apresentar sugestões ao presidente da Casa e quer definição até o fim da semana.

Parlamentares bolsonaristas e de partidos do Centrão vão usar esta semana para tentar dar fôlego a um projeto que anistia envolvidos em atos golpistas e pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Líderes que estão a par dessa articulação tentam fazer com que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defina até o fim desta semana quem será o relator do texto.

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A ideia dos parlamentares favoráveis à iniciativa é que o nome seja definido logo para que as negociações envolvendo o parecer do projeto comecem a ser destravadas. Como mostrou o GLOBO, a oposição tenta aprovar uma versão ampla que incluiria não só a recuperação da inelegibilidade de Bolsonaro e um perdão a uma eventual condenação na trama golpista, mas também anistia a casos judiciais envolvendo nomes como os do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do ex-deputado Daniel Silveira.

A tendência é que a anistia não avance durante esta semana e somente seja discutida a partir da semana que vem, após a conclusão do julgamento da trama golpista, do qual Bolsonaro é alvo. O próprio líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que nesta semana não será pautado sequer o pedido de urgência do projeto, que pode fazer com que a iniciativa pule a fase de comissões e seja analisada direto em plenário.

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A pauta da Câmara para esta semana deverá ser esvaziada, somente com votações de temas que sejam de amplo consenso, inclusive com votação virtual e a dispensa de presença em Brasília. Os projetos ainda serão definidos na reunião de líderes com o presidente da Casa.

Dentro desse contexto, Sóstenes disse que vai realizar reuniões com Motta e líderes partidários para tentar chegar a um acordo sobre o relator do texto.

“Ele (Hugo Motta) já tem em mente alguns nomes, eu não vou falar. Não são do PL, mas de partidos do centro. Ele (Motta) disse para voltar a conversar com alguns nomes de partidos de centro que não tenham a nossa resistência”, disse o líder do PL.

O deputado do partido de Bolsonaro disse que deseja que a relatoria fique com Rodrigo Valadares (União-SE), da ala bolsonarista do partido e que foi o relator do texto quando ele estava sendo discutido na Comissão de Constituição e Justiça em 2024. Apesar disso, Sóstenes declarou que Motta não confirmou se a relatoria será mantida com ele ou transferida para um nome novo.

Hugo Motta sofre pressões em direções opostas tanto para pautar, quanto para barrar a anistia. Os eventos desse domingo, feriado do 7 de setembro, Dia da Independência, evidenciaram isso.

O presidente da Câmara participou do desfile organizado pelo governo federal, em Brasília, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, onde foram entoados gritos contra a anistia.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, convocou uma reunião com ministros do Centrão e de partidos da base para esta segunda-feira para tentar fazer com que eles articulem contra o projeto.

Já em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) cobrou diretamente Motta a pautar o texto.

“A gente está aqui para dizer para o Hugo Motta, paute a anistia. Hugo, paute a anistia. Deixe a Casa decidir, e eu tenho certeza que ele vai fazer isso porque trazer a anistia para a pauta é resgatar a justiça, é resgatar o país.”

Tarcísio tem sido estimulado por partidos do Centrão a ser candidato a presidente em 2026 e usar o mote da anistia como uma maneira de acenar a Bolsonaro e ter seu apoio para a disputa do ano que vem.

Motta se reuniu com o governador em Brasília na última quarta-feira para debater o projeto.

Outros nomes do bolsonarismo, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Altineu Cortes (PL-RJ), vice-presidente da Câmara, que participaram de um ato no Rio, também cobraram Motta.

O presidente da Câmara tem dado sinais trocados sobre a iniciativa. Na última terça-feira, Motta chegou a falar que o apoio para a anistia cresceu entre os líderes do Congresso e, segundo relatos de deputados, declarou em reunião com líderes, que inevitavelmente o assunto terá que ser discutido pela Câmara. Apesar disso, dois dias depois, ele disse que não há acordo ainda sobre o texto.

A Câmara ampliou nos últimos dias a pressão para o projeto, que pode beneficiar ex-presidente Jair Bolsonaro e anular uma eventual condenação dele no caso da trama golpista.

As cúpulas nacionais do PP, União Brasil e Republicanos apoiam abertamente um texto que pode auxiliar Bolsonaro e suas bancadas na Câmara contam com o apoio majoritário para fazer a iniciativa andar. Por sua vez, no PSD, integrantes da cúpula do partido dizem que o cenário é de divisão, em que o apoio e a rejeição à anistia tem níveis similares dentro da bancada na Câmara. No MDB, apesar de integrantes da cúpula nacional sinalizarem contra, há apoios dentro das alas do partido no Sul e Centro-Oeste.

Há uma pressão do PL para que a anistia inclua a reversão da inelegibilidade de Bolsonaro, mas o pedido tem sofrido resistência em parte das siglas do Centrão, que preferem centrar esforços em perdoar a possível condenação na trama golpista.

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