No início deste ano, o tribunal decidiu que dirigentes do Fed possuem status especial que os protege de demissão, exceto em caso de “justa causa” — interpretação que historicamente significa má conduta ou negligência grave.
Enquanto isso, autoridades do Fed devem se unir para proteger a instituição, considerada não apenas um pilar dos mercados financeiros americanos, mas também do sistema global.
O mandato de Powell como presidente termina em maio, mas seu assento como governador vai até 2028. Tradicionalmente, ex-presidentes do Fed deixam o conselho ao fim do mandato, mas analistas acreditam que Powell pode se sentir obrigado a permanecer para defender a independência da instituição. Isso pode levar outros governadores a só deixar seus cargos quando um presidente de seu partido estiver no poder, tornando o Fed mais parecido com a Suprema Corte nesse aspecto.
O peso da maioria
Trump já indicou Stephen Miran, atual presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, para a vaga deixada por Adriana Kugler, que saiu antes do fim de seu mandato em janeiro.
Miran apoia os cortes de juros defendidos por Trump e foi coautor, em 2024, de um artigo que propunha uma reforma no Fed para reduzir sua independência.
Analistas do JPMorgan alertaram que a nomeação de Miran representa uma “ameaça existencial” ao Fed, sinalizando a intenção de alterar a Lei do Federal Reserve e limitar a autonomia da instituição.
Ainda não está claro se Miran será reconduzido ao conselho, já que a Casa Branca busca um substituto para Powell na presidência. Mas, de qualquer forma, o Fed já teria três governadores nomeados por Trump.
Se conseguir nomear um quarto, Trump formaria uma maioria no conselho de sete membros. Isso não garantiria o controle das decisões de juros, que são votadas pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), formado por 12 integrantes. Mas daria a seus indicados poder sobre o orçamento do Fed, seu quadro de pessoal e até a escolha dos presidentes dos bancos regionais — que precisam ser aprovados pelo conselho.
Em fevereiro, expiram os mandatos de cinco anos de todos os presidentes regionais, o que amplia o alcance da influência de Trump.
A reação política
Com Trump avançando sobre território inexplorado em sua ofensiva contra o Fed, qualquer tentativa de confirmar novos indicados no Senado se tornará uma batalha total.
“A tentativa ilegal de demitir Lisa Cook é o mais recente exemplo de um presidente desesperado em busca de bode expiatório para encobrir seu fracasso em reduzir os custos para os americanos”, disse a senadora Elizabeth Warren, principal democrata no Comitê Bancário do Senado, em comunicado.
“É uma tomada de poder autoritária que viola flagrantemente a Lei do Federal Reserve e precisa ser revertida nos tribunais.”
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