Decisão como escudo
Embora a decisão de Flávio Dino não mencione nominalmente Alexandre de Moraes nem a Lei Magnitsky, ministros do Supremo interpretaram a medida como uma reação institucional às sanções impostas por Washington, que incluem congelamento de bens, proibição de entrada nos EUA e bloqueio de transações com empresas americanas.
A norma foi usada pelo governo Trump para punir Moraes, sob a justificativa de que o magistrado estaria perseguindo politicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e violando direitos fundamentais.
A retaliação foi articulada com participação direta de Eduardo Bolsonaro, que tem atuado nos bastidores para estimular sanções contra autoridades brasileiras, especialmente ministros do STF.
Pressão por impeachment e anistia
Na publicação, o deputado também mira o mercado financeiro, acusando seus representantes de “fazerem vista grossa” às decisões do Supremo. A crítica ocorre em meio à especulação de que instituições bancárias brasileiras avaliam alternativas para proteger ministros de eventuais efeitos secundários das sanções americanas — como o encerramento de contas por temor de punições dos EUA.
Eduardo reforçou a condição imposta pela família Bolsonaro para interromper a ofensiva diplomática: a aprovação, no Congresso, do impeachment de Alexandre de Moraes e da anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de Janeiro.
Sinalizações de novas sanções
Ao fim da mensagem, o deputado voltou a sugerir que o governo Donald Trump pode ampliar as sanções contra autoridades brasileiras, caso o STF mantenha o julgamento contra seu pai.
Nos bastidores, aliados do republicano têm sinalizado que mais ministros podem ser incluídos na lista de sanções da Lei Magnitsky, caso apoiem decisões consideradas “autoritárias” pelos EUA.
A decisão de Dino, ao afirmar a soberania jurídica brasileira, foi lida como tentativa de conter os efeitos práticos da ofensiva americana, mas também intensificou as críticas de bolsonaristas e aliados de Trump.
