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Jovem faz cirurgia para melhorar depressão crônica: como funciona o procedimento?

Jovem faz cirurgia para melhorar depressão crônica: como funciona o procedimento?

19/08/2025 às 08h05
Por: Redação Fonte: infomoney
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Jovem faz cirurgia para melhorar depressão crônica: como funciona o procedimento?

Jovem faz cirurgia para melhorar depressão crônica: como funciona o procedimento?.

 

O procedimento cirúrgico inédito visa estimular o cérebro a melhorar os sintomas da doença.

A depressão é uma das doenças que mais acometem a população mundial. Seus impactos podem causar diversos problemas físicos, além dos transtornos psíquicos e impedimento de viver uma vida com qualidade. No entanto, uma nova cirurgia se mostra capaz de aliviar os sintomas da depressão crônica.

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Uma jovem mulher colombiana, Lorena Rodríguez, de 34 anos, passou por um procedimento cirúrgico inédito para estimular o cérebro a melhorar os sintomas da doença mental. Apesar das discussões recentes nas redes, a cirurgia foi realizada em abril pelo neurocirurgião colombiano William Contreras, no Hospital Internacional da Colômbia, em Bogotá.

Conhecida como estimulação cerebral profunda (DBS, em inglês), o procedimento é comum para diagnósticos da Doença de Parkinson. Apesar de alguns estudos avaliarem sua capacidade de melhora em quadros de depressão resistente, o método aplicado por Contreras foi inédito.

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Segundo projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2030, a depressão deve se tornar a doença mais comum do mundo, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo câncer e doenças cardíacas.

Como funciona a cirurgia para depressão crônica?

Segundo o médico responsável pela cirurgia, que falou ao site G1, o procedimento é recomendado para diagnósticos de depressão em que todos os formatos convencionais de tratamento falharam — que era o caso de Lorena.

Segundo o Instituto de Psiquiatria da HCFMUSP, a depressão refratária, também chamada de resistente ou de transtorno depressivo maior, é caracterizada por sintomas crônicos de longo prazo que não respondem adequadamente aos tratamentos padrão, como medicação e psicoterapia.

Em casos específicos, tratamentos mais intensivos como a eletroconvulsoretapia (ECT), a neuromodulação e o uso de cetamina podem ser recomendados. Já a cirurgia efetuada pelo médico colombiano traz uma proposta diferente.

A DBS, consiste na implantação de eletrodos — ou seja, fios condutores de energia elétrica — em áreas específicas cérebro. Dessa forma, funciona como um “marca-passo” cerebral, estimulando constantemente o órgão para uma melhor qualidade de vida.

Os condutores são ligados a um neuroestimulador, que envia impulsos elétricos com o objetivo de regular a atividade dos circuitos cerebrais

 

De acordo com o Jornal Brasileiro de Neurologia, há diferentes estudos da DBS como tratamento da depressão resistente, em que considera análises da estimulação de regiões do cérebro como o córtex cingulado subcaloso (SCC), o feixe prosencefálo medial (MFB), a perna anterior da cápsula interna (vALIC) e o córtex pré-frontal epidural (EpC).

No caso de Lorena, os eletrodos foram aplicados em duas áreas:

  • Área subgenual do córtex cingulado (SCG25), associada à tristeza profunda; e
  • Braço anterior da cápsula interna do cérebro, que conecta áreas do pensamento racional a estruturas emocionais.

O pioneirismo do médico William Contreras está na abordagem de estímulo de múltiplos alvos (multitarget) para tratar a depressão resistente.

Resultados da cirurgia de depressão

Ao G1, Contreras explicou que os resultados de estímulos cerebrais variam entre aqueles que apresentam melhora significativa dos sintomas (de 40% a 60% dos pacientes), e os que ficam sem sinais da doença por longos períodos (de 20% a 30% dos casos).

A coletânea de estudos avaliados pelo Jornal Brasileiro de Neurologia, por sua vez, indica que há um perfil de eficácia e segurança encorajador no uso da DPS em casos de depressão crônica, embora seja necessário considerar as limitações de pesquisa atual.

Em todos os casos, a maioria dos pacientes apresentou melhora entre 40% e 50% dos sintomas ao estimular as diferentes regiões cerebrais. No entanto, o pequeno número de participantes e a realidade geográfica de onde as pesquisas foram realizadas restringe a aplicabilidade dos resultados, dificultando a identificação do alvo ideal.

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