Parte da arrecadação será destinada a iniciativas voltadas para pessoas com deficiência e outra parte, segundo ele, será reservada para possíveis emergências médicas.
Kryptos: a arte que virou código
Localizada no pátio da sede da CIA, em Langley, na Virgínia, a obra Kryptos é composta por quatro chapas curvas de cobre com letras perfuradas manualmente, dispostas sobre materiais como pedra, madeira e água. O nome deriva do grego kryptos — “escondido” —, em referência direta ao universo da criptografia.
Cada painel da obra contém uma mensagem codificada:
• K1 apresenta uma frase com erro proposital na palavra “illusion”;
• K2 revela as coordenadas da sede da CIA e faz alusão ao ex-diretor William Webster;
• K3 recria o relato do arqueólogo Howard Carter ao encontrar a tumba de Tutancâmon;
• K4, o menor dos trechos, permanece indecifrado, mesmo após pistas fornecidas pelo próprio artista em 2010, 2014 e 2020.
Exausto, mas com legado garantido
Nas últimas décadas, Sanborn foi procurado por milhares de entusiastas, acadêmicos e criptoanalistas que tentaram decifrar o painel final. Para conter o volume de mensagens, chegou a cobrar US$ 50 por resposta curta, medida que não impediu o fluxo constante de investidas.
“Artisticamente, estou tão além de Kryptos que isso só me incomoda um pouco”, disse ao NYT o artista, que ao longo dos anos produziu obras sobre temas como ciência, arqueologia e falsificação.
Agora, com a venda, Sanborn espera que o comprador mantenha o segredo. Segundo a casa de leilões, a proposta é transferir não apenas o conteúdo decifrado, mas o “poder simbólico” de deter um conhecimento exclusivo.
“O valor está em conhecer o segredo e ser a única pessoa a detê-lo”, disse Bobby Livingston, vice-presidente da RR Auction.
Criptografia como cultura pop
Mais do que uma escultura, Kryptos virou objeto de culto. Aparece em obras de ficção como O Código Da Vinci e O Símbolo Perdido, de Dan Brown, e é constantemente citado em fóruns de criptografia e segurança digital. A solução parcial das três primeiras mensagens foi fruto de esforço coletivo da comunidade global — mas o quarto painel resistiu.
