
Número de ogivas nucleares volta a crescer, tratados são desfeitos e potências como Rússia, Irã e Israel tensionam o cenário global Marina Verenicz.
Oito décadas após as bombas que devastaram Hiroshima e Nagasaki, o mundo volta a conviver com a crescente ameaça de uma escalada nuclear. A promessa de desarmamento, que parecia possível após o fim da Guerra Fria, perdeu força. Nos últimos anos, o número de ogivas prontas para uso aumentou, e o cenário geopolítico atual é marcado por instabilidade, disputas de influência e pelo enfraquecimento de acordos multilaterais.
Segundo o SIPRI (Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo), havia cerca de 12.100 ogivas nucleares no mundo em 2024, das quais aproximadamente 3.900 estavam prontas para uso imediato — um aumento em relação aos anos anteriores.
Nove países possuem oficialmente armas nucleares:
A maior parte do arsenal global continua concentrada nos Estados Unidos e na Rússia, herdeiros da corrida armamentista da Guerra Fria. No entanto, o crescimento da capacidade da China, a opacidade em relação ao arsenal israelense e os avanços do programa nuclear iraniano despertam preocupações cada vez maiores.
A guerra na Ucrânia trouxe a ameaça nuclear de volta ao discurso político. Desde a invasão em 2022, o presidente Vladimir Putin tem feito menções recorrentes ao arsenal atômico russo — inclusive posicionando armas nucleares táticas em Belarus e ameaçando o Ocidente em caso de envolvimento direto no conflito.
Mais do que retórica, a Rússia abandonou em 2023 sua participação no New START, o último tratado bilateral com os EUA que limitava o número de ogivas estratégicas. Sem verificação mútua e com tensões crescentes, o risco de erro de cálculo entre as potências voltou a preocupar analistas.
O programa nuclear do Irã é outro foco de tensão. Desde a saída dos EUA do Acordo Nuclear em 2018, durante o governo Trump, Teerã acelerou o enriquecimento de urânio e restringiu o acesso de inspetores internacionais.
O país ainda nega ter intenção de produzir uma bomba, mas já ultrapassou diversos limites técnicos impostos pelo acordo. Em 2024, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) alertou que o Irã possui urânio enriquecido suficiente para fabricar múltiplas ogivas em pouco tempo, caso tome essa decisão política.
Israel nunca admitiu oficialmente possuir armas nucleares, mas é amplamente aceito que o país mantém um arsenal de cerca de 90 ogivas, operado de forma independente e fora de qualquer tratado internacional.
Essa ambiguidade estratégica tem sustentado a dissuasão contra países vizinhos, especialmente Irã e Síria. Em um eventual confronto direto com Teerã — cenário que voltou ao centro do debate após a guerra em Gaza e os ataques aéreos mútuos em abril de 2025 —, o fator nuclear pode escalar rapidamente.
Outro vetor de preocupação é o avanço acelerado do programa nuclear chinês. Nos últimos cinco anos, o número de ogivas chinesas quase dobrou. Relatórios do Pentágono indicam que a China pode ultrapassar mil ogivas até o fim da década, com foco em capacidade de segundo ataque e lançamento via mísseis balísticos intercontinentais.
Ao mesmo tempo, Pequim se recusa a aderir a tratados de controle de armas, alegando que seu arsenal ainda é muito menor que o dos EUA e da Rússia. A ascensão nuclear chinesa já influencia a postura estratégica dos americanos, que passaram a considerar cenários de dissuasão “trilateral”.
Boa parte da estabilidade nuclear da Guerra Fria foi construída sobre acordos de controle de armas. Nos últimos 20 anos, essa arquitetura ruiu:
Ao mesmo tempo, países com armas nucleares não reconhecidas, como Israel e Coreia do Norte, não participam de nenhum regime de controle.
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