As tensões entre Washington e Teerã se agravaram no mês passado, quando forças americanas, com apoio de Israel, atacaram três instalações nucleares iranianas que, de acordo com o governo dos EUA, faziam parte de um plano secreto para o desenvolvimento de armas atômicas. O Irã nega repetidamente qualquer intenção militar em seu programa nuclear, afirmando que ele tem fins exclusivamente civis.
A resposta iraniana veio rapidamente. O ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, publicou na rede social X (antigo Twitter) que qualquer nova agressão “receberá uma resposta mais firme” e “impossível de ser encoberta”.
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, classificou as declarações de Trump como “delírio” e reafirmou que o Irã continuará enriquecendo urânio “dentro dos limites das leis internacionais”.
“Nossas capacidades nucleares estão nas mentes de nossos cientistas, não nas instalações”, afirmou Pezeshkian em entrevista à rede Al Jazeera. Ele também disse que o Irã não aceitará ameaças nem imposições em futuras negociações, embora tenha admitido estar pessimista quanto ao cessar-fogo firmado com Israel em 24 de junho.
Durante a trégua — alcançada após 12 dias de confrontos iniciados por uma ofensiva israelense em 12 de junho —, tanto Israel quanto os Estados Unidos realizaram bombardeios contra alvos estratégicos no território iraniano. Pezeshkian alertou que o país está preparado para responder a novos ataques: “Nossas Forças Armadas estão prontas para atingir novamente as profundezas de Israel”, afirmou.
O presidente do Irã ainda acusou Israel de tentar assassiná-lo em um bombardeio ocorrido em 15 de junho, durante uma reunião do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Ele sofreu apenas ferimentos leves, mas disse que a tentativa tinha como objetivo “afundar o país no caos e derrubar suas autoridades”.
Pezeshkian afirmou que a ofensiva israelense fracassou em seu intento de “eliminar os principais líderes” iranianos e acusou Tel Aviv de esconder as perdas sofridas nos confrontos. “Israel nos causou danos, e nós os atingimos também. Eles bateram forte, e nós respondemos com dureza”, concluiu.
Trump, por sua vez, reafirmou que manterá uma postura inflexível contra a proliferação nuclear iraniana, embora sua retórica tenha sido criticada dentro e fora dos Estados Unidos.