
Plano prevê até US$ 100 bilhões em investimentos privados na recuperação da produção da Venezuela, que hoje bombeia um terço do volume dos anos 1990 em meio a infraestrutura sucateada.
O governo Trump pretende adotar novas medidas para afrouxar as sanções ao setor de petróleo da Venezuela, em um esforço para aumentar a produção de petróleo bruto enquanto a guerra no Irã faz os preços dispararem.
As ações, que podem ser anunciadas já nesta semana, incluem a emissão de mais licenças individuais permitindo que empresas estrangeiras atuem na Venezuela sem violar as sanções dos EUA, segundo pessoas familiarizadas com o plano, que pediram anonimato porque ele ainda não é público.
O governo também deve implementar um mecanismo mais amplo que facilite a entrada de um número maior de empresas na Venezuela, disseram as fontes. Não está claro se essa medida assumirá a forma de uma licença geral.
“O governo já emitiu diversas licenças gerais para facilitar o rápido progresso nas indústrias de mineração e energia”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, em comunicado. “Continuaremos a agir, quando necessário, para restaurar a paz e a prosperidade na Venezuela.”
Entre as empresas prestes a receber autorização do Departamento do Tesouro dos EUA para operar na Venezuela estão uma subsidiária da estatal indiana ONGC Videsh, a sueca Maha Capital, com sede em Estocolmo, e a J&F Investimentos, holding da brasileira JBS Foods Group, disseram algumas das pessoas.
O Departamento do Tesouro, a ONGC Videsh e a J&F não comentaram de imediato. A Maha recusou comentar.
Até agora, o governo Trump emitiu apenas um punhado de licenças como parte de seu plano para que empresas privadas invistam algo em torno de US$ 100 bilhões na próxima década para reconstruir o combalido setor de petróleo venezuelano. Entre as autorizadas estão Chevron, BP, Shell, Repsol, Eni e Maurel & Prom.
A guerra no Irã, no entanto, está pressionando Washington a acelerar os esforços na Venezuela, que abriga algumas das maiores reservas de petróleo do mundo. Os contratos futuros de petróleo no mercado global já saltaram mais de 40% desde que EUA e Israel lançaram os ataques, levando o preço da gasolina ao nível mais alto desde 2023.
Como outras interessadas em retornar ao país, a ONGC Videsh tem centenas de milhões de dólares a receber da estatal venezuelana Petróleos de Venezuela SA (PDVSA). A retomada das operações pode permitir que a companhia feche um acordo com a PDVSA para recuperar esses valores.
Em teleconferência de resultados em 13 de fevereiro, o diretor financeiro da ONGC Videsh, Vivek Tongaonkar, disse que a empresa aguarda orientação do governo americano sobre a Venezuela, afirmando que “o movimento é em direção positiva”.
Não está claro se o alívio das sanções ao petróleo venezuelano resultará em aumento de produção no curto prazo. O país atualmente produz cerca de 1 milhão de barris por dia, um terço do pico registrado na década de 1990. A infraestrutura de energia se deteriorou significativamente desde então, em função de má gestão, falta de investimentos, corrupção e sanções.
Francisco Monaldi, diretor de política energética latino-americana no Baker Institute for Public Policy, da Universidade Rice, afirma que a Venezuela não tem condições de aumentar a produção rápido o suficiente para compensar a alta dos preços globais. Ele projeta um incremento de, no máximo, um terço da produção atual — cerca de 300 mil barris por dia — em 2026, o que seria uma gota no oceano da demanda mundial.
“É completamente marginal no curto prazo”, disse Monaldi em entrevista.
Ainda assim, o governo Trump vem tentando colocar mais petróleo no mercado de onde for possível. No início deste mês, aliviou temporariamente algumas sanções sobre o petróleo russo, numa tentativa de pressionar o presidente Vladimir Putin a encerrar a guerra na Ucrânia. Também reduziu, por ora, a pressão para que a Índia pare de comprar petróleo russo.
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