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Estudo aponta que medicamento popular para dor crônica pode aumentar risco de demência e declínio cognitivo

Estudo aponta que medicamento popular para dor crônica pode aumentar risco de demência e declínio cognitivo

13/07/2025 às 15h19
Por: Redação Fonte: Gazeta Brasil
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Estudo aponta que medicamento popular para dor crônica pode aumentar risco de demência e declínio cognitivo

Estudo aponta que medicamento popular para dor crônica pode aumentar risco de demência e declínio cognitivo.

 

Um estudo publicado nesta quinta-feira (10) na revista Regional Anesthesia & Pain Medicine indica que o uso prolongado de gabapentina — medicamento comumente utilizado para tratar convulsões, dor nervosa e síndrome das pernas inquietas — pode estar associado a um risco significativamente maior de demência e declínio cognitivo leve (DCL).

De acordo com a pesquisa, o uso regular da substância foi ligado a um aumento de 29% no risco de demência e de 85% no risco de DCL. O efeito foi ainda mais expressivo entre adultos jovens, na faixa etária de 18 a 64 anos, que apresentaram mais que o dobro da probabilidade de desenvolver essas condições em comparação com pacientes que não usaram o medicamento.

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“Os achados deste estudo apoiam a necessidade de monitoramento próximo em pacientes adultos que receberam prescrição de gabapentina para avaliar o potencial de declínio cognitivo”, escreveram os autores, liderados por Nafis Eghrari, estudante de medicina da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland, nos Estados Unidos.

A gabapentina tem ganhado popularidade como alternativa no tratamento da dor crônica, por ser considerada menos viciante que os opioides. No entanto, pesquisadores alertam que a substância atua suprimindo a comunicação entre células nervosas, o que pode impactar negativamente a função cerebral.

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O estudo analisou registros médicos de mais de 26.400 pacientes que receberam prescrição de gabapentina para dor lombar crônica, comparando os dados com um grupo de controle composto por pacientes com o mesmo diagnóstico, mas que não fizeram uso da medicação.

Os resultados mostram que pacientes que receberam seis ou mais prescrições do medicamento apresentaram maior incidência de diagnóstico de demência ou DCL dentro de um período de até 10 anos após o início do tratamento. O risco aumentava conforme a frequência da prescrição: indivíduos com 12 ou mais receitas apresentaram 40% mais chances de desenvolver demência e 65% mais chances de apresentar DCL, em comparação com aqueles que receberam entre três e 11 prescrições.

Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que se trata de um estudo observacional, o que significa que não é possível afirmar uma relação de causa e efeito entre a gabapentina e o declínio cognitivo.

“Esperamos que o estudo atual promova mais pesquisas para delinear se a gabapentina desempenha um papel causal no desenvolvimento da demência e os mecanismos subjacentes dessa relação”, concluíram os autores.

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