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MPRJ aciona justiça para obrigar construção de presídios no RJ

MPRJ aciona justiça para obrigar construção de presídios no RJ

11/07/2025 às 07h41
Por: Redação Fonte: Agência O Antagonista
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MPRJ aciona justiça para obrigar construção de presídios no RJ

MPRJ aciona justiça para obrigar construção de presídios no RJ.

 

Déficit é de 17,5 mil vagas, e maioria das unidades está superlotada.

O Ministério Público do Rio de Janeiro entrou com ação civil pública na quinta, 10, para obrigar o governo estadual a construir novos presídios.

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A medida ocorre diante da superlotação nas cadeias do estado, que abrigam hoje 45.962 presos em 28.507 vagas, um excedente de 17.455 pessoas e taxa de ocupação de 161%.

A Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Sistema Prisional e Direitos Humanos alerta que, anualmente, cerca de 34 mil presos ingressam no sistema, enquanto 28 mil são liberados, gerando um crescimento líquido de seis mil detentos por ano.

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Das 47 unidades prisionais fluminenses, apenas 11 operam dentro da capacidade. A Cadeia Pública Tiago Teles, em São Gonçalo, abriga até três presos por cela individual.

O MPRJ também pede à Justiça a desativação de unidades com infraestrutura precária, como os presídios Ari Franco, Evaristo de Moraes, Cândido Mendes e Edgar Costa.

O Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, é um dos que mais registram mortes no estado e já foi alvo de pareceres técnicos recomendando sua extinção.

No julgamento da ADPF 347, o Supremo Tribunal Federal declarou que o sistema carcerário do Rio configura um “estado inconstitucional de coisas” e determinou a responsabilização de todos os entes envolvidos na política criminal.

O STF também acolheu a proposta do Conselho Nacional de Justiça para criação de uma Central de Vagas que obrigue o estado a equilibrar, em até três anos, o número de presos à capacidade das unidades, o que demandaria a soltura de 17.423 pessoas.

Nos últimos quatro anos, o estado destinou apenas R$ 364 mil para reforma e construção de presídios.

Para 2025, o orçamento prevê R$ 19,7 milhões, valor considerado insuficiente pelo Ministério Público, que havia recomendado o aporte de R$ 393 milhões. Segundo a promotoria, nesse ritmo seriam necessários 68 anos para eliminar o déficit de vagas.

O governo estadual diz que estuda a criação de um novo complexo prisional com áreas de educação, trabalho e ressocialização.

Em 2023, foi anunciado investimento para construção de duas novas unidades: uma de segurança máxima, com capacidade para 200 presos, e outra de segurança média, para 800.

A principal estrutura do sistema é o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, com 25 unidades.

O entorno do complexo tem sido alvo de operações para demolição de construções irregulares que facilitavam fugas e entrada de itens proibidos.

Para reforçar o efetivo, a Secretaria de Administração Penitenciária realizou concurso para 300 inspetores, com salário inicial de R$ 7.337. As provas foram aplicadas em fevereiro e o resultado está em análise.

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