
Carro de som, balões e fogos de artifício. A comunidade do entorno do Colégio Estadual Professora Maria Gai Grendel, em Curitiba, preparou uma recepção à altura para os componentes da Banda Musical do Caximba (BMC), na tarde desta terça-feira (8). Eles voltaram da Alemanha com dois troféus e uma medalha conquistados no European Music Contest 2025, maior torneio aberto de bandas da Europa, realizado no último fim de semana.
A BMC garantiu o segundo lugar na categoria Entretenimento e a chancela ouro, que dá ao grupo o passaporte para o Campeonato Mundial de Bandas que será disputado em 2026 no México e em 2027 na Irlanda. Na categoria Concerto – Classe Média, a BMC novamente ficou com a medalha de prata, consolidando sua posição entre as melhores formações musicais da competição. Já na categoria Marcha, o grupo obteve a quarta colocação.
“Voltamos com um sentimento de realização, já que a gente conseguiu trazer vários títulos e representar muito bem o Paraná e o País. E sabemos o tamanho da importância que isso tem. Uma banda de escola pública formada por alunos e ex-alunos da periferia, que nos mostrou o quão longe podemos chegar”, exaltou a saxofonista Nicole da Silva, uma das 44 componentes que se apresentaram na Europa.
As batidas iniciais foram com tampas de panelas e latões de lixo e as primeiras apresentações em desfiles cívicos do bairro Tatuquara, na Capital. De lá para cá, 15 anos se passaram. e o grupo, atualmente com mais de 100 integrantes pisou em muitos palcos, conheceu diversas cidades e estados. Mas chegar a outros continentes era até o ano passado um sonho que o maestro e idealizador de tudo, Vitor Rodrigues, ajudou a tornar realidade.
“Hoje, com toda essa mobilização da comunidade para nos homenagear, percebo o quanto valeu a pena investir nesse sonho. Chegar até as pessoas. Os prêmios coroam tudo isso”, celebrou.
Além de um professor de Artes arregimentando, jovens cheios de sonhos nos corredores e salas de aula da Escola Estadual Professora Maria Gai, foi necessário uma parceira: a da diretora Sônia Inça, que também viajou para a Alemanha. Por lá, conta que viu um espetáculo de jovens alunos e ex-alunos que tiveram suas vidas transformadas pelo projeto.
“Me emocionei várias vezes, porque lembrei que a música salvou a vida de muitos deles, que, se não estivessem na sala de aula aprendendo a cantar e a tocar, poderiam ter se envolvido com drogas e até com a criminalidade, É muito orgulho”, disse.
A Banda do Caximba não tem esse nome à toa. Ele simboliza o resgate da autoestima de uma comunidade até então estigmatizada por estar muito próxima do aterro sanitário da Caximba. “Quando me mudei para o bairro fiquei preocupada com minhas filhas e a escola e a banda me mostraram que o caminho é este: educação, disciplina, acolhimento”, comemorou Graciele Feltrin, mãe de Ketlyn, que integrou a comitiva para a Alemanha. “Para mim, que nunca havia saído nem do estado, foi muito incrível“, acrescentou a estudante de 17 anos da 3ª série do Ensino Médio.

APRESENTAÇÃOES– O retorno da Alemanha com louvor representou o ponto alto da jornada da banda nos últimos meses. A banda já havia se apresentado na Capela Santa Maria, quatro dias antes do embarque para a Europa, e já foi um aperitivo para a marcha pela Alemanha ao longo do que seria uma uma maratona. Não por acaso, o concerto recebeu o nome “Do Brasil para a Alemanha”. Com uma plateia ansiosa e animada, o grupo fez um convite à alegria com os ritmos brasileiros e outro à reflexão, com os clássicos. E fez bonito no Velho Continente.
André Karam terminou o Ensino Médio em 2016, mas como um dos primeiros alunos do projeto, continuou na mesma sintonia. Hoje gestor comercial, não abandonou o clarinete nem o amor pela música. “É isso que me motiva, que me expressa e me leva a continuar. Mais do que a paixão por tocar, me sinto acolhido aqui”, disse.
O mesmo pensamento de Karoline Natália de Paula Santos, estudante do 3º ano de Biomedicina, e exímia clarinetista. Conheceu a banda no 7º ano do Ensino Fundamental e nunca mais quis sair. Nem se imagina fora do que chama de uma segunda família. “Não imagino nem pensar em sair da banda. A energia de estar com o grupo de ver as pessoas tocando, me faz sentir em uma família. E na Alemanha foi exatamente isso que senti, em um lugar de apoio”, afirmou.
Para alcançar o tom e superar os concorrentes, o grupo se preparou intensamente, dedicando-se aos ensaios inclusive nos finais de semana. Jhonatan Martins de Deus esteve lá. Hoje aluno da 3ª série do Ensino Médio, está na banda desde o 6º ano do Fundamental. De um tímido estudante de escola pública a trompetista da Banda do Caximba. Ele, como a maioria dos componentes que viajou para a Europa, nunca havia saído do Brasil. “Mesmo depois de tudo, parece que ainda não caiu a ficha. Foi um sonho”, classificou.
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