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Polônia endurece controle em fronteiras, com crise migratória pressionando premiê

Polônia endurece controle em fronteiras, com crise migratória pressionando premiê

07/07/2025 às 14h53
Por: Redação Fonte: infomoney
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Polônia endurece controle em fronteiras, com crise migratória pressionando premiê

Polônia endurece controle em fronteiras, com crise migratória pressionando premiê.

 

Donald Tusk afirmou que os controles eram uma resposta às checagens mais rigorosas nas fronteiras introduzidas pelo novo governo alemão.

As checagens da Polônia em suas fronteiras com a Alemanha e a Lituânia começaram nesta segunda-feira (7), em uma medida retaliatória do primeiro-ministro Donald Tusk contra ações recentes de Berlim destinadas a conter a migração irregular.

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Tusk afirmou na semana passada que os controles eram uma resposta às checagens mais rigorosas nas fronteiras introduzidas pelo novo governo alemão, que, segundo ele, criaram uma “assimetria” na forma como as duas nações policiam sua fronteira compartilhada.

Checagens aleatórias nas fronteiras por 30 dias também se aplicam à Lituânia, que, segundo o governo polonês, se tornou a nova rota preferida para migrantes após a Polônia cercar sua fronteira com a Bielorrússia. A Polônia afirmou que devolverá migrantes sem documentação para a Lituânia.

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A migração é um tema político altamente sensível na Polônia e teve papel de destaque na campanha de Karol Nawrocki, o candidato nacionalista que venceu inesperadamente o segundo turno da eleição presidencial em 1º de junho.

O apoio ao governo de Tusk despencou recentemente, e ele acabou cedendo à pressão da oposição conservadora e de extrema-direita em relação à questão da fronteira, enquanto as negociações para mudanças no seu gabinete se arrastam.

A Alemanha enfrenta uma luta semelhante para equilibrar a livre circulação de pessoas enquanto combate a crescente popularidade da extrema-direita anti-imigração.

A coalizão governista do chanceler Friedrich Merz tem sido criticada por endurecer as checagens temporárias nas fronteiras, introduzidas pelo governo anterior, além de instruir a polícia a devolver alguns solicitantes de asilo.

Os Verdes, oposição na Alemanha, acusaram a administração liderada pelos conservadores de violar regras da União Europeia e de fazer “simbolismo político populista” que afasta os parceiros da UE, em um momento em que o bloco precisa se unir para enfrentar a ameaça da Rússia.

“Qualquer pessoa que busque proteção tem direito a um procedimento justo de asilo, que não pode ser contornado em postos de fronteira improvisados”, disse Marcel Emmerich, porta-voz dos Verdes para política interna, em um comunicado enviado por e-mail no domingo.

Ele também destacou o potencial impacto econômico do aumento dos controles.

Ameaça concreta

“Restrições cada vez mais rigorosas à liberdade de circulação afetam os trabalhadores que cruzam a fronteira nas regiões fronteiriças, assim como o movimento transfronteiriço de mercadorias”, afirmou Emmerich. “Isso representa uma ameaça concreta para a Alemanha como local de negócios.”

Segundo um relatório do Rmf24.pl, cerca de 150 mil poloneses cruzam a fronteira diariamente para trabalhar na Alemanha, incluindo na gigafábrica da Tesla Inc. ao sudeste de Berlim. As checagens polonesas afetarão todos os meios de transporte.

“Se os trabalhadores na fronteira germano-polonesa não puderem mais chegar ao trabalho de forma confiável e pontual, aumenta o risco de que eles mudem permanentemente para outra atividade”, disse Helena Melnikov, diretora-gerente do lobby industrial DIHK da Alemanha, ao jornal Handelsblatt no domingo.

Isso teria “consequências para a escassez de trabalhadores qualificados em regiões como Brandemburgo”, acrescentou Melnikov.

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