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Inteligência Artificial aplicada em softwares contribui para diagnósticos médico

Ferramentas com inteligência artificial já auxiliam médicos na interpretação de dados clínicos e melhoram a assertividade do prognóstico.

25/06/2025 às 17h35
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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Banco de imagens Freepik
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Um relatório do World Economic Forum estima que o mercado global de inteligência artificial (IA) na saúde, avaliado em US$ 11 bilhões em 2021, deverá ultrapassar US$ 187 bilhões até 2030, com impacto direto na redução de erros de diagnóstico e na eficiência dos sistemas hospitalares. A tecnologia, já presente em aplicações como triagem de pacientes, leitura de exames e organização de dados clínicos, avança para se consolidar como uma aliada importante na melhoria da qualidade dos prognósticos médicos.

Para Lorena Rodrigues Tomás Lousa, CEO da empresa de inovação e desenvolvimento de software BitBoundaire, essa transformação digital passa pelo uso da IA não apenas como suporte técnico, mas como componente central na curadoria e integração de dados de saúde.

“A inteligência artificial atua como uma ponte entre dados clínicos dispersos e decisões assertivas. O desafio não é só captar a informação, mas integrá-la e interpretá-la de forma eficiente para apoiar o profissional de saúde”, explica.

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Entre as aplicações mais promissoras, Lorena destaca a sumarização automatizada de atendimentos e prontuários. Com base em registros anteriores, os sistemas são capazes de entregar ao médico um painel inteligente, que ajuda no prognóstico, destaca sinais relevantes e até sugere condutas baseadas em evidências e protocolos clínicos.

“O profissional consegue ter uma leitura mais objetiva e segura do quadro, inclusive com referências que apontam se a conduta proposta está alinhada aos padrões atuais de cuidado”, afirma.

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Além de apoiar decisões clínicas, essas tecnologias também atuam de forma preventiva, identificando padrões de risco com base em dados estruturados e não estruturados. Isso permite que o sistema de saúde antecipe diagnósticos ou intervenções com mais precisão, o que é particularmente relevante em áreas como oncologia, cardiologia e cuidados primários.

Outro campo em expansão, segundo Lorena, é a automação hospitalar com IA, que vai desde o controle de contas e prontuários até recomendações inteligentes de fornecedores e insumos.

“Trabalhamos com projetos que funcionam como curadores de dados — soluções úteis tanto para o usuário final quanto para a empresa, com base em bancos validados e protocolos bem definidos”, diz.

A BitBoundaire também atua no mercado norte-americano, com foco em análise avançada de dados clínicos e integração de plataformas, especialmente em ecossistemas de saúde que incluem planos de saúde, hospitais e empresas de tecnologia médica. A empresa busca oferecer soluções que melhorem a coordenação de cuidados, reduzam desperdícios operacionais e ampliem o acesso a tratamentos personalizados.

Ainda assim, a fragmentação das informações segue como um dos principais gargalos para o avanço da IA em saúde.

“Hoje, a maior parte dos dados está retida em silos institucionais. O paciente raramente tem controle sobre seus próprios dados. A IA pode ajudar a reverter isso ao gerar insights contextualizados, com base em históricos clínicos e bancos amplos, atualizados e confiáveis”, avalia Lorena.

Segundo ela, a jornada do paciente também tende a ser aprimorada, com a IA possibilitando triagens mais ágeis, encaminhamentos mais eficientes e recomendações personalizadas — inclusive sobre onde comprar medicamentos com melhor custo-benefício ou quais unidades de atendimento estão mais preparadas para o seu caso.

Ela ressalta que a IA, ao ampliar a capacidade de processamento e análise, não substitui o julgamento clínico, mas o potencializa.

“Essas ferramentas aumentam a capacidade individual do médico e, quando bem aplicadas, transformam esse ganho em inteligência coletiva do sistema de saúde.”

Para a especialista, o uso ético, validado e interoperável da inteligência artificial pode, portanto, não apenas melhorar a produtividade e a segurança dos serviços médicos, mas também elevar o padrão de qualidade assistencial, com decisões mais bem informadas, ágeis e orientadas por evidências.

 

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