
O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) Trends Shaping Education 2025 apontou preocupações com o impacto do uso intenso de mídias sociais na saúde mental de jovens, incluindo efeitos sobre a atenção, conhecidos como “Cérebro do TikTok”. A análise destaca que os impactos variam conforme fatores individuais, como competências socioemocionais e o tipo de uso do conteúdo.
Conforme a Collaborative for Academic, Social and Emotional Learning (CASEL), o desenvolvimento socioemocional é o processo de aquisição e aplicação de conhecimentos, habilidades e atitudes para gerenciar emoções, sentir e demonstrar empatia, estabelecer e manter relacionamentos de apoio e tomar decisões de forma intencional e responsável.
Prof.ª Dra. Renata Aguilar, diretora pedagógica do grupo Super Cérebro, enfatiza que o desenvolvimento socioemocional é um processo que exige um aprendizado constante em conhecer a si mesmo, ter clareza das próprias emoções e como elas podem afetar positivamente ou negativamente o outro e também influenciar nas decisões do indivíduo.
“Quanto mais conhecemos as emoções e sabemos gerenciá-las, mais podemos desenvolver habilidades como empatia, autocontrole, autorregulação (controlar a impulsividade nas ações). Por exemplo, quando o adolescente é provocado na escola ou numa festa, conseguir controlar-se e não tomar atitudes inadequadas como agressões físicas ou verbais”, esclarece a profissional.
A especialista detalha as consequências de estimular a inteligência emocional desde a infância. “Os benefícios são inúmeros. O autocontrole, a autorregulação e a heterorregulação, evitam a impulsividade, a agressividade verbal ou física, auxiliam no processo de conter a ansiedade, desenvolvem senso de empatia e cooperação, além de trazer melhorias no fator atencional e de concentração”.
Aguilar afirma que, portanto, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais passa a ajudar as crianças e adolescentes a lidar com a pressão e os desafios do dia a dia, a construir relacionamentos saudáveis que terão resultados tanto na escola quanto em seu ambiente social e familiar.
Impactos positivos no aprendizado e na saúde mental
Segundo a diretora pedagógica do grupo Super Cérebro, o aprimoramento de habilidades como a resiliência em crianças e adolescentes pode influenciar positivamente o desempenho escolar e o bem-estar emocional dos alunos.
“A capacidade em se adaptar a diferentes situações, superar as dificuldades e responder de forma positiva às adversidades e às demandas do dia a dia é uma competência que promove a persistência diante de erros, auxilia na autoconfiança durante o aprendizado e inclusive na saúde mental”, aponta a profissional.
Para a especialista, os pais e educadores podem contribuir para o reforço dessas habilidades proporcionando ambientes seguros e afetivos, onde as crianças possam expressar suas emoções sem medo e sem receio de serem punidas ou colocadas em situações inferiorizadas.
“Por exemplo, quando a criança chora, muitos pais pedem para a criança parar de chorar ou usam aquela famosa frase: ‘engole o choro’, neste momento os pais reforçam que a criança não pode expressar suas emoções. É fundamental auxiliar a criança a expressar suas emoções, conversar sobre o que está sentindo e nomear o que a levou a sentir tal emoção”, explica Aguilar.
De acordo com a CASEL, como um campo interdisciplinar de estudo e prática, o desenvolvimento socioemocional é parte integrante da educação e do desenvolvimento humano, que gera recursos para o bem-estar mental e fatores de proteção contra riscos à saúde mental.
Integração ao processo pedagógico
A profissional pontua que as competências socioemocionais, como inteligência emocional, empatia, resiliência e comunicação são uma prioridade na educação em 2025.
“O ensino dessas habilidades será incorporado de forma mais formal ao currículo escolar, com programas focados no desenvolvimento emocional e social dos alunos. O objetivo é preparar os alunos não apenas para o mercado de trabalho, mas também para uma vida saudável e equilibrada em sociedade”, declara a especialista.
Aguilar revela que a proposta pedagógica do grupo Super Cérebro trabalha o desenvolvimento socioemocional por meio de materiais específicos escritos por profissionais na área da neurociência e educação, alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e às funções executivas – controle inibitório, planejamento, organização, pensamento crítico e tomada de decisão consciente – para todas as fases da educação básica.
“O soroban (ábaco japonês) é usado para desenvolver foco, memória de trabalho e cálculo mental, autorregulação e persistência. Os jogos de tabuleiro estimulam o desenvolvimento das habilidades socioemocionais como cooperação, tomada de decisão, empatia, liderança e frustração. Enquanto materiais complementares desenvolvem funções executivas e inteligências múltiplas”, conta a diretora.
De acordo com a especialista, o material também pode ser utilizado nas escolas e o grupo Super Cérebro busca oferecer formação constante para as famílias, educadores, gestores e profissionais por meio de congressos com especialistas nacionais e internacionais e materiais com embasamento científico em neurociência e educação.
Para mais informações, basta acessar: supercerebro.com.br/
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