Carlos Rolemberg, executivo do setor de onco-hematologia e um dos fundadores da startup, afirma que a inteligência artificial pode colaborar no suporte aos médicos das regiões sem especialistas com diagnósticos assertivos.
Reforço no SUS
A proposta dos médicos é bem-vinda ao SUS, já que em 2022 foram destinados R$ 4 bilhões ao tratamento oncológico, segundo o Ministério da Saúde. A leucemia está entre as principais causas de internação e procedimentos de alta complexidade.
Casos de Leucemia Linfoide Aguda e Leucemia Mieloide Aguda costumam exigir internações prolongadas, com média de 25 dias, com quimioterapia intensiva e suporte clínico. Custos com diárias hospitalares podem variar entre R$ 62,5 mil e R$ 100 mil por ciclo.
“Somando os gastos com suporte clínico, terapias-alvo e transplante, o tratamento de um único paciente pode chegar a R$ 1 milhão, sem contar os custos indiretos, como perda de produtividade, deslocamentos e impacto emocional das famílias”, destaca Raphael Saraiva, especialista em saúde digital.
Um dos principais diferenciais da ferramenta é a atuação junto à atenção primária, onde os hemogramas costumam ser avaliados por clínicos gerais. “Esses profissionais normalmente se concentram em alterações mais comuns ou relacionadas à sua área. Quando identificam uma anemia, por exemplo, a conduta mais frequente é prescrever ferro, sem investigar a origem”, explica Lucyo Diniz, médico onco-hematologista e sócio da startup.
Prova de conceito
Em uma prova de conceito realizada no Hospital da Unimed em Petrolina (PE), a plataforma analisou mais de 600 hemogramas com 94% de especificidade e baixíssimo índice de erro, validando sua eficácia em ambiente real.
Além de encurtar o tempo até o diagnóstico correto, a tecnologia ajuda a reduzir filas, priorizar casos críticos e prevenir internações, transfusões e tratamentos tardios.
As próximas versões da plataforma devem incluir funcionalidades de tele-hematologia e dashboards epidemiológicos, oferecendo suporte remoto a médicos e gestores da saúde pública.
