
Se tem Carla Calazans com a camisa de São José dos Campos em uma mesa de damas nos Jogos Abertos do Interior, muito provavelmente tem medalha. Referência nacional no esporte, a atleta de 30 anos conquistou em Votuporanga a sua 14ª medalha na competição, a oitava de ouro.
Carla começou nas damas ainda criança, e por um motivo inusitado. Ela e a irmã gêmea, Karina, também uma craque da modalidade, jogavam contra o pai e invariavelmente perdiam. Para piorar, ainda tinham que aguentar as gracinhas e as provocações do vencedor. Mas esse cenário se inverteria rapidamente.
“Começamos a jogar damas por causa do meu pai. Ele ganhava muito da gente. E não era do tipo de pai que deixava os filhos ganharem. Fomos buscar conhecimento sobre o esporte, treinamos, e ele nunca mais venceu um jogo”, conta Karina.
A primeira vítima foi o próprio pai. Na sequência, vieram atletas da mesma faixa etária, treinados para esse tipo de jogo, no Brasil e fora. Os resultados de Carla e Karina só melhoravam. Aos poucos, ganharam o respeito das rivais.
Em 2024, Carla subiu de patamar. Ela conquistou o título pan-americano de damas na Costa Rica, feito que lhe garantiu a classificação de Mestre Internacional, a única de uma mulher no país.
“Na damas, você precisa ganhar um grande campeonato de nível internacional para receber essa norma [de Mestre Internacional]. É um reconhecimento muito importante, que vai me acompamnhar pra sempre. Mas, para além dos resultados, esse título abre caminho para as próximas gerações passarem. Meu maior feito é mostrar o que uma brasileira pode conquistar na damas”, conta Carla.
Na arena de damas montada no Assary Clube de Campo, em Votuporanga, Carla e a irmã justificaram mais uma vez a fama de favoritas. Venceram a disputa por equipes no feminino contra Santos, com quem São José dos Campos rivaliza nos torneios estaduais, e ficaram com o ouro dos Jogos Abertos 2026.
“Os Jogos Abertos é a principal competição de damas por equipes do Brasil. O nível técnico é extremamente alto, a competivivide é forte. É sempre muito bom ganhar aqui”, destaca a damista.
Depois de conquistar o Brasil e a América do Sul, agora Carla quer o mundo. Ela se prepara para o Mundial da Holanda, em 2027. “Sei que ainda não tenho nível técnico para ser campeã. Parece até utopia imaginar uma latino-americano batendo de frente com europeus, norte-americanos e asiáticos, mas sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho. Então escolhi sonhar grande.”
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