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Ensino em tempo integral amplia aprendizagem na rede estadual do Pará

Expansão da modalidade inclui novas escolas entregues em 2026 e combina formação acadêmica, acompanhamento pedagógico e preparação para a vida pre...

23/10/2026 às 11h42
Por: Redação Fonte: Secom Pará
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Foto: Eliseu Dias / Ascom Seduc
Foto: Eliseu Dias / Ascom Seduc

Mais tempo para aprender, esclarecer dúvidas com os professores e aprofundar os conteúdos estudados em sala de aula faz parte da rotina dos estudantes das escolas estaduais de tempo integral do Pará. A modalidade, destaca a Secretaria de Educação do Pará (Seduc), amplia as possibilidades de acompanhamento pedagógico e articula as disciplinas regulares a atividades complementares, projetos de vida e, em algumas escolas, cursos técnicos.

Desde 2019, o Governo do Estado vem ampliando a oferta dessa modalidade. Em 2026, nove escolas estaduais que ofertam ensino em tempo integral foram entregues em diferentes regiões do estado. Com a expansão, a rede chegou a 199 escolas distribuídas por 81 municípios. Em 2018, eram 26 instituições.

Uma das escolas entregues neste ano foi a Escola Estadual Suboficial Edvaldo Brandão, no bairro do Tapanã, em Belém. Reconstruída com investimento superior a R$ 4 milhões, ela oferece um exemplo das experiências de estudantes e professores.

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Mais tempo para aprender e superar dificuldades

Na Edvaldo Brandão, a jornada ampliada permite distribuir as atividades de Matemática entre aulas regulares, aprofundamento curricular e estudo orientado. A organização busca garantir o avanço nos conteúdos previstos e, ao mesmo tempo, retomar habilidades que ainda precisam ser desenvolvidas pelos estudantes.

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Professor de Matemática do 1º ano do ensino médio, Fábio Barros explica que essa distribuição oferece mais possibilidades de identificar as dificuldades das turmas e trabalhar os assuntos de diferentes maneiras. Na disciplina, os estudantes têm sete aulas semanais, distribuídas entre aulas regulares, Aprofundamento Curricular e atividades de recomposição da aprendizagem.

“Essa organização permite avançar no currículo e, ao mesmo tempo, retomar assuntos e habilidades que os alunos ainda não conseguiram desenvolver plenamente. Quando percebemos uma dificuldade, temos mais tempo para revisar o conteúdo, apresentar outras explicações e acompanhar o ritmo de cada turma”, diz Brandão.

O acompanhamento também se beneficia da convivência mais frequente entre professores e estudantes. Sherman Palhano, professor de Biologia e Educação Ambiental, destaca que a jornada ampliada favorece a construção de vínculos e permite manter um contato mais próximo com os alunos ao longo da semana, criando outras oportunidades para esclarecer dúvidas.

“Temos mais tempo de convivência com os estudantes, o que nos permite construir vínculos mais fortes e acompanhar de perto o desenvolvimento de cada um. No ensino regular, muitas vezes o professor tem poucos encontros semanais com determinada turma e só volta a encontrá-la dias depois. No tempo integral, a presença diária favorece essa aproximação e amplia a disponibilidade para atender os alunos”, explica o professor.

Palhano acrescenta que esse contato mais frequente facilita a identificação das dificuldades e a oferta de orientações, mesmo fora dos horários específicos de aula. Segundo ele, o acompanhamento não fica restrito ao momento em que o conteúdo é apresentado, mas se estende ao longo da semana.

Para quem enfrenta dificuldades em determinadas disciplinas, esse acompanhamento pode representar uma oportunidade adicional de compreensão dos conteúdos. Estudante do 2º ano do ensino médio, Cícera Santos conta que já percebe avanços em Matemática e também utiliza as atividades escolares para se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Eu, por exemplo, tinha dificuldade em Matemática e já percebi uma melhora, porque agora temos mais oportunidades de rever os assuntos e entender aquilo que antes parecia mais complicado. Também estou me preparando para o Enem. Ainda quero melhorar, principalmente na redação, e sei que o tempo maior na escola me ajuda a aprofundar meus conhecimentos e a tirar dúvidas com os professores”, relata.

Além da preparação para o exame, Cícera participa do clube de leitura, que se reúne uma vez por mês. Após a reconstrução da escola, a biblioteca passou a oferecer um espaço mais organizado para as atividades do grupo e para o empréstimo de livros.

A preparação para o Enem também faz parte das atividades de Língua Portuguesa. A professora Márcia Rebelo observa que os estudantes têm procurado os docentes para revisar textos, pedir correções e identificar aspectos que precisam melhorar na redação. Esse movimento permite trabalhar a escrita com mais atenção às necessidades individuais e orientar os jovens que pretendem ingressar no ensino superior.

“Com mais tempo e proximidade, conseguimos acompanhar melhor o desenvolvimento dos estudantes e ajudá-los a avançar na aprendizagem. Tenho percebido, inclusive, uma mudança no interesse pelo Enem. Antes, quando perguntávamos quem pretendia fazer a prova, poucos alunos levantavam a mão. Hoje, quase todos demonstram interesse. Eles procuram os professores, trazem textos para correção e querem saber o que podem melhorar”, destaca Márcia.

A professora também ressalta a importância da tutoria no acompanhamento dos estudantes. A atividade permite orientar os alunos de maneira mais próxima e considerar suas necessidades ao longo do processo de aprendizagem.

Formação acadêmica e profissional

A proposta do ensino em tempo integral vai além do aumento da carga horária. A organização articula a formação geral básica a atividades complementares, como clubes, tutorias e projetos de vida, que buscam desenvolver autonomia, competências socioemocionais e protagonismo estudantil.

Em 2026, a rede estadual passou a ofertar 19 cursos técnicos nas escolas de tempo integral. Entre as formações estão Desenvolvimento de Sistemas com foco em Inteligência Artificial, Agroecologia e Meio Ambiente.

A oferta contempla diferentes áreas do conhecimento e considera as características e possibilidades de desenvolvimento sustentável da Amazônia, além das demandas de setores produtivos. Os currículos observam as competências previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as diretrizes da Educação Profissional e Tecnológica.

A articulação entre as disciplinas, as atividades complementares e a formação técnica busca ampliar as possibilidades dos estudantes após a conclusão da educação básica. Além de apoiar a preparação para o ensino superior, a modalidade oferece caminhos de qualificação para o mundo do trabalho.

Entregas em diferentes regiões do Pará

A ampliação da oferta de ensino em tempo integral integra as ações do Governo do Pará para a rede estadual de educação. Em 2026, as nove escolas entregues alcançaram municípios de diferentes regiões, incluindo Belém, Ananindeua, Abaetetuba, Ipixuna do Pará, Marabá e Santarém.

Na Região Metropolitana de Belém, foram entregues as escolas estaduais Maria Encarnação de Araújo, em Ananindeua, Domingos Acatauassu Nunes, Duque de Caxias, Pedro Amazonas Pedroso e Suboficial Edvaldo Brandão, em Belém. No Baixo Tocantins, a Escola Estadual Benvinda de Araújo Pontes foi entregue em Abaetetuba. No Nordeste paraense, a Escola Estadual de Ensino Médio Maria das Graças Balbino Corrêa foi entregue em Ipixuna do Pará.

No sudeste paraense, a Escola Estadual Dr. Gaspar Viana foi entregue em Marabá. Já no oeste paraense, em Santarém, a entrega contemplou a Escola Estadual Professor Júlio Heleno Lages Pereira.

Texto: Amanda Castro / Ascom Seduc

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