O Complexo Hospitalar Irmã Dulce (CHID) recebeu esta semana uma capacitação sobre captação de órgãos e tecidos. Referência na Região neste assunto, o Hospital reuniu na terça (1º) e na quarta-feira (2) profissionais de toda a rede de Urgência e Emergência e Atenção Hospitalar do Município e unidades hospitalares da rede privada para sensibilizar as equipes sobre a importância da doação de órgãos e tecidos, que podem salvar muitas vidas.
O Hospital Irmã Dulce é um dos líderes da Baixada Santista em captações de órgãos e tecidos com base nas notificações feitas pela unidade à Organização de Procura de Órgãos da Escola Paulista de Medicina (OPO-EPM), responsável por procurar e captar órgãos e notificar à Central de Transplantes. Só em 2024, o Hospital registrou 45 notificações de morte encefálica, resultando em 18 captações de órgãos. Ao todo, foram disponibilizados 57 órgãos, incluindo 33 rins, oito fígados, 10 córneas, um pâncreas, dois pulmões e três corações.
Segundo OPO-EPM, o CHID foi o segundo hospital que mais realizou notificações de morte encefálica na região Sul e Litoral de São Paulo em 2024, demonstrando todo o comprometimento da instituição com a doação de órgãos e a importância desse trabalho que traz esperança a quem aguarda por um transplante. Só no Brasil são cerca de 70 mil pessoas nessa lista de espera. Vale lembrar que no país a lei exige o consentimento da família para que seja efetivada a doação. Por isso, é importante que o doador avise os parentes, em vida, sobre seu desejo. Após o aceite pelos familiares, o Hospital faz a manutenção do potencial doador e o contato com os responsáveis pela captação para o transplante.
Para conduzir esse trabalho, o Hospital possui uma Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CHDOTT), composta por enfermeiros, médicos, psicólogo, assistente social e fisioterapeuta. E por ter esse olhar apurado na questão do transplante, o CHID buscou reunir profissionais médicos, de enfermagem e equipe administrativa para ampliar a discussão sobre o assunto e conscientizar as pessoas. Participaram mais de 100 trabalhadores da saúde da rede do Município, divididos em quatro períodos.
A capacitação foi organizada pelo Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS), da Secretaria de Saúde Pública (Sesap) do Município, e pelo NEP do CHID, que é gerenciado pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina). Também participaram a OPO-EPM e a Seção de Captação e Transporte de Órgãos e Tecidos (SECAPT), da Prefeitura de Santos.
Entre os temas abordados, os palestrantes trataram sobre a importância da sensibilização para a doação e o acolhimento junto à família do potencial doador. Também foi apresentado como funciona todo o fluxo da notificação por morte encefálica e da captação dos órgãos e tecidos no Hospital Irmã Dulce, bem como os testes realizados para confirmação da morte encefálica, que são necessários para posterior notificação e captação da equipe do OPO-EPM.
“O objetivo é sensibilizar os profissionais da rede a entender como funciona esse processo para poder encaminhar o caso para a gente, pois somos a referência. Ou seja, é possível iniciar os protocolos de morte encefálica nas UPAs, mas a equipe deve entrar em contato com o CIHDOTT, pois esses pacientes devem ser encaminhados para o Hospital para passar por todo o protocolo de morte encefálica antes de iniciar a captação dos órgãos e tecidos”, explicou a enfermeira Jéssica Serafim, coordenadora da CIHDOT do Complexo Hospitalar Irmã Dulce.
Para o responsável pela Divisão de Educação Permanente em Saúde e Comissão de Humanização da Sesap, Guilherme Augusto Braga Silva, a capacitação foi importante por aprofundar a integração entre os serviços de Urgência e Emergência e Atenção Hospitalar do Município. “É muito importante fazer esse trabalho contínuo de educação em rede, contando com a presença não só do serviço público, mas também com a rede credenciada privada. O Hospital realiza com excelência esse serviço de captação de órgãos e tecidos, que deve ser parabenizado, e todos os profissionais que atuam nesse nível de Atenção à Saúde devem conhecer e ser sensibilizados”.
A enfermeira Danielle Caliani Barbosa Machado, chefe da SECAPT, participou da capacitação no sentido de mostrar como é o trabalho em Santos e conscientizar os profissionais sobre a relevância deste trabalho. “A SECAPT atua in loco nos hospitais e prontos-socorros, dando suporte técnico presencial e contínuo a todos os protocolos de morte encefálica, e também possui uma frente educativa junto à comunidade, com palestras, sensibilizações, levando a importância da temática, além da formação dos profissionais de saúde. É muito importante a conscientização nos hospitais, pois não adianta sensibilizar a família para doar e não ter no hospital uma estrutura e equipe qualificadas para suspeitar de uma morte encefálica, saber como diagnostica, comunicar uma má notícia e lidar com todo o processo da doação de órgãos e tecidos”.
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