A Secretaria de Estado da Educação (Seed) deu mais um passo para fortalecer a educação equânime e inclusiva nesta quarta-feira, 2, com a posse dos 24 membros do Comitê de Equidade Racial e de Gênero. Os integrantes são servidores da educação estadual que terão a possibilidade de participar de um colegiado que discuta e implemente diretrizes e ações na perspectiva da educação antirracista, equânime e diversa.
Na programação da posse, foi lido o regimento interno e houve a eleição entre os membros empossados e suplentes para as funções de coordenador, secretário e suplentes. Venceu por maioria o professor Anselmo Vieira dos Santos (coordenador) e Karla Angélica Araújo (vice-coordenadora).
O coordenador do comitê, Anselmo Vieira, que é servidor do Serviço de Desenvolvimento de Liderança dos Recursos Humanos da Seed, comenta que haverá reuniões mensais e, a partir daí, será construído e formalizado o plano de ação, que perpassará por todos os ambientes da Seed. “A gente quer ter uma educação mais equânime em que possa ver as questões raciais e de gênero minimizadas, primeiramente, no ambiente de trabalho e que possam ser ampliadas para toda a rede”, afirmou.
O Comitê de Equidade Racial e de Gênero foi instituído em 2024 e passa a orientar as ações que articulem a igualdade de oportunidades, a diversidade e a inclusão nas instituições e da administração pública da educação e em escolas vinculadas à pasta. O documento que representa a instauração do comitê pode ser acessado no portal da Seed, na aba ‘Documentos e Leis’.
A formação do Comitê leva em consideração a Constituição Federal e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de modo que viabilize a integridade da comunidade escolar e administrativa, combatendo os preconceitos de raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Equanimidade diferente de igualdade
Integrante do comitê, a coordenadora de Educação do Campo e da Diversidade (Cecad) responsável pelo selo Educação Antirracista da Seed, Geneluça Santana, explica que o comitê se soma ao planejamento da Seed e fortalece a discussão da educação antirracista e equânime. “O objetivo é justamente a equidade de gênero e raça na estrutura da Educação, porque os serviços e departamentos só conseguiram perceber o racismo a partir de um letramento para depois aguçar o olhar. Por que na secretaria a maioria de coordenadores são brancos? Por que os cargos de lideranças são maioria masculina? Com o olhar passará a perceber que não é normal”, avalia.
Representantes da Coordenadoria de Estudos e Avaliação Educacional (Ceave), responsável pelo Censo Escolar, Busca Ativa Escolar, entre outras ações, as servidoras Maria Paula e Cecília Maria Aguiar, apresentaram o comitê como um espaço de diálogo importante e trouxeram questões como a autodeclaração racial de alunos no Censo Escolar.
Para Cecília Aguiar, quando todos os setores estão unidos em prol de uma causa, o resultado tende a aparecer. “Temos um caso de uma escola de mais de 1000 alunos em que estes não se autodeclararam. Essa discussão é importante e impacta inclusive nas condicionalidades do VAAR [Valor Aluno Ano Resultado], que pela primeira vez Sergipe recebeu”, disse
Descendente do povo indígena Xokó, Maria Paula lembra que primeiramente tem de se discutir internamente para depois existir a equidade. O gestor da Diretoria de Educação do Alto Sertão Sergipano (DRE. 9), Antônio Santana, destaca o compromisso com a equidade. “Tenho falado muito sobre o tema para não confundir com igualdade. A equidade é mais acolhedora e entende que quem tem menos precisa de mais. É o caso de duas pessoas querendo pegar uma maçã no pé. Precisará de uma escada quem for de estatura menor”, exemplifica.
Mín. 20° Máx. 30°