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Brasil terá primeira fábrica do mundo de pele de tilápia para tratar queimadura

Brasil terá primeira fábrica do mundo de pele de tilápia para tratar queimadura

17/08/2026 às 14h31
Por: Redação Fonte: Agência O Globo
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Brasil terá primeira fábrica do mundo de pele de tilápia para tratar queimadura

Brasil terá primeira fábrica do mundo de pele de tilápia para tratar queimadura.

 

Unidade no Ceará receberá investimento inicial de R$ 52 milhões e poderá processar até 12 mil peles por dia para uso médico.

O Brasil deverá ganhar a primeira fábrica do mundo dedicada ao processamento em larga escala de pele de tilápia para uso médico. A unidade será construída em Jaguaribara, no interior do Ceará, com investimento inicial previsto de R$ 52 milhões. A tecnologia, desenvolvida a partir de pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC), transforma uma parte do peixe normalmente descartada pela indústria em curativo biológico para queimaduras e feridas de difícil cicatrização.

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O projeto industrial será conduzido pelo Consórcio Biotec, por meio da Inova Medical. A expectativa é ampliar significativamente a capacidade de produção de um material que hoje é processado em pequena escala para pesquisas e aplicações específicas.

Atualmente, o laboratório da UFC consegue preparar, em média, até 600 peles de tilápia por mês. A previsão para a nova fábrica é alcançar 4,3 mil unidades por dia no primeiro ano de operação comercial. Em uma segunda etapa, a capacidade poderá chegar a 12 mil peles diariamente.

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A unidade deverá começar a ser construída a partir de outubro deste ano. O cronograma prevê entre 15 e 18 meses para conclusão das obras, instalação dos equipamentos e validação dos lotes piloto. Se os prazos forem cumpridos, a operação poderá começar em janeiro de 2028.

A utilização comercial do produto, porém, ainda dependerá do cumprimento das exigências regulatórias e sanitárias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Como funciona a pele de tilápia em queimaduras?

A pele do peixe passa por um processo de preparação e esterilização até ser transformada em um curativo biológico. O material pode ser aplicado sobre áreas lesionadas e adere à superfície da ferida, podendo ser utilizado no tratamento de queimaduras de segundo e terceiro graus.

Uma das principais vantagens apontadas pelos responsáveis pelo projeto é a redução da frequência das trocas de curativo. No tratamento convencional de queimaduras, a substituição do material pode ser dolorosa e, dependendo da gravidade, exigir medicamentos analgésicos e novos procedimentos.

Segundo dados apresentados pela empresa responsável pelo projeto, o uso da tecnologia pode reduzir em 52% o custo total do tratamento de queimaduras na comparação com métodos convencionais. Também há expectativa de diminuir a utilização de analgésicos opioides e a necessidade de levar pacientes repetidamente ao centro cirúrgico para a troca de curativos.

A intenção é que, com a produção industrial, a tecnologia possa atender parte da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS).

Curativo poderá durar três anos sem refrigeração

A fábrica também pretende adotar uma nova forma de conservação da pele processada. O material será submetido à liofilização, técnica de desidratação que permite armazená-lo sem necessidade de refrigeração.

Com o processo, a previsão é de que o curativo tenha validade de até três anos em temperatura ambiente. Antes da aplicação, o profissional de saúde precisará reidratar o material com solução fisiológica.

A mudança pode facilitar o armazenamento e o transporte da pele de tilápia, especialmente para regiões distantes dos centros de produção, além de favorecer uma eventual exportação.

México, Turquia e Portugal já demonstraram interesse na tecnologia para pesquisas e futuras aplicações, segundo os responsáveis pelo projeto.

Fábrica deve gerar 200 empregos

A escolha de Jaguaribara está relacionada à proximidade com o Açude Castanhão, uma das principais áreas de produção de tilápia no Ceará. A localização permite que um resíduo da indústria pesqueira seja aproveitado como matéria-prima de maior valor agregado.

A estimativa é de que a fábrica crie inicialmente 200 empregos diretos. Parte dos trabalhadores deverá passar por capacitação técnica com participação da UFC e de instituições parceiras.

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