
A produção industrial cresceu 4,5% no mês passado em relação ao mesmo período do ano anterior, em comparação com 5,3% em junho.
PEQUIM, 17 Ago (Reuters) – A economia da China perdeu impulso no início do segundo semestre, com a produção industrial e as vendas no varejo apresentando desaceleração, conforme problemas causados pelo clima extremo e a fraqueza da demanda interna renovam a pressão sobre as autoridades para que intensifiquem os estímulos.
Os dados decepcionantes, após um crescimento no segundo trimestre que desacelerou para o menor nível em três anos e meio, destacam a dependência contínua da China das exportações para compensar a fraqueza do consumo e dos investimentos, mesmo diante dos obstáculos causados pelas tarifas dos EUA e pelo conflito no Oriente Médio.
A produção industrial cresceu 4,5% no mês passado em relação ao mesmo período do ano anterior, em comparação com 5,3% em junho, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS), ficando abaixo da previsão de 4,8% de crescimento em pesquisa da Reuters.
“O desempenho fraco se deve, em parte, ao uso ineficaz das medidas disponíveis. Os gastos fiscais ficaram aquém, por exemplo”, disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit. “É um apelo para que as autoridades sejam mais ousadas ao gastar o que têm.”
“Deve-se dar atenção ao investimento, cuja queda acentuada não é, de forma alguma, aceitável para Pequim”, acrescentou ele.
O investimento em ativos fixos contraiu 6,7% nos primeiros sete meses de 2026, em comparação com uma queda esperada de 6%. Ele caiu 5,7% no período de janeiro a junho.
Fu Linghui, porta-voz do escritório de estatísticas, afirmou em uma coletiva de imprensa que as autoridades intensificarão os ajustes nas políticas anticíclicas para impulsionar a demanda interna.
Fazer com que a população de cerca de 1,4 bilhão de chineses volte a gastar não será fácil enquanto o setor imobiliário do país permanecer em recessão, com os preços das casas novas em julho apresentando queda de 3,2% em relação ao ano anterior e de 0,1% ante junho.
Economistas estimam que cerca de 52% da riqueza das famílias esteja atrelada ao setor imobiliário, uma parcela que vem diminuindo nos últimos anos, à medida que a prolongada crise imobiliária tem levado os investidores a buscar o ouro e outros ativos.
As vendas no varejo cresceram 0,6%, desacelerando em relação ao aumento de 1% registrado em junho, apesar dos gastos com turismo nas férias de verão. Analistas previam expansão de 1,5%.
A queda foi “em parte apenas uma correção do programa de troca de bens de consumo, que impulsionou as vendas há um ano ao antecipar a demanda”, disse Julian Evans-Pritchard, chefe de economia chinesa da Capital Economics.
As autoridades também estão tendo que lidar com fatores além de seu controle, como o clima.
A produção industrial e as vendas no varejo provavelmente foram prejudicadas por condições climáticas extremas e incomuns no mês passado, com três tufões atingindo o continente e milhões de pessoas sendo realocadas nos centros industriais do leste e do sul da China.
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