
O decreto também proíbe a circulação de veículos, com exceção daqueles em serviço público..
Um dos pontos turísticos mais procurados por pessoas que visitam o Litoral Sul de Pernambuco, a Praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, conta com áreas de exclusivas em que o comércio de barraqueiros é proibido. Existe dois espaços: o paredão que fica entre o Restaurante Peixe na Telha e vai até o Caldinho do Neném; e em frente a praça das piscinas naturais, onde acontece o programa Praia Sem barreiras.
A área está localizada logo após o letreiro com o nome da praia. O trecho é destinado prioritariamente à operação das jangadas autorizadas para os passeios às piscinas naturais e pode ser utilizado por banhistas, que podem instalar cadeiras, guarda-sóis, cangas e demais equipamentos de praia de uso individual sem a presença de barraqueiros no local.
Essa determinação da Prefeitura de Ipojuca iniciou após a publicação do decreto municipal nº 9, instituído em 15 de janeiro deste ano, 19 dias após dois turistas de Mato Grosso serem agredidos por barraqueiros na Praia de Porto de Galinhas.
De acordo com o decreto municipal, que visa garantir a organização, a segurança e a convivência entre as diferentes atividades desenvolvidas na praia, nesse trecho só é permitido a operação das jangadas, sendo proibida qualquer comercialização de outros produtos ou serviços.
O decreto também proíbe a circulação de veículos, com exceção daqueles em serviço público. Com isso, os banhistas podem utilizar o local normalmente.
Segundo a Prefeitura de Ipojuca, as fiscalizações são realizadas pelos agentes da Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano e pelos Guardas Municipais. "A fiscalização e o ordenamento da praia acontece de forma permanente, através do Projeto Orla Legal", disse a gestão.
Confusões na Praia de Porto de Galinhas
A publicação do decreto aconteceu 19 dias após um casal de turistas de Mato Grosso terem sido agredidos por barraqueiros após divergência sobre valores cobrados pelo aluguel de cadeiras e do guarda-sol no final do ano passado.
Em vídeos divulgados na época nas redes sociais, diversos comerciantes aparecem cercando os dois turistas e desferindo golpes, enquanto um salva-vidas tenta intervir. Mesmo após serem afastados da multidão e colocados em um veículo de apoio, os dois turistas continuam sendo agredidos.
De acordo com o casal, identificado como Johnny Andrade Barbosa e Cleiton Zanatta, o uso das cadeiras havia sido negociado por um determinado valor, mas, no momento do pagamento, foi cobrado quase o dobro.
Na época do ocorrido, os barraqueiros divergiram da versão do casal em vídeo divulgado nas redes sociais, alegando que os turistas estariam embriagados e teriam iniciado as agressões.
Após o ocorrido e toda repercussão, A barraca da Maura, envolvida no episódio, levou uma multa de R$ 12 mil do Procon de Pernambuco. Segundo o órgão de defesa do consumidor à época, a punição foi imposta após a Operação Consumo Livre, que fiscalizou 45 unidades da orla.
Coação de turistas
Outro problema relatado por turistas que vão a Porto de Galinhas é com relação às abordagens dos comerciantes ao longo da faixa de areia, que faz com que os visitantes se sintam coagidos.
Em entrevista ao Diario de Pernambuco no fim do ano passado, o engenheiro de minas, Airton Leonel, contou um pouco dessa experiência ao passar férias com a namorada-. “Logo quando fui estacionar o carro, já chegaram algumas pessoas oferecendo cadeiras e guarda-sol, fazendo aquela agonia. Quando peguei o cardápio, lá já constava que eu precisava consumir algum petisco para não pagar R$ 100 pelo aluguel”, iniciou.
“Porém, não tinha nenhum petisco menor que R$ 100. A isca de peixe que pedi foi de R$ 170. Essa prática meio que deixa o cliente com a obrigação de comprar aquele petisco para não pagar o valor do aluguel. É uma forma de coação”, concluiu Airton.
Porém, de acordo com Ulisses Ávila, que é um dos representantes do setor de turismo de Porto de Galinhas, que envolve iniciativa privada e poder público, houve uma melhora no ordenamento em relação a outros anos.
“A questão da organização aqui em Porto de Galinhas vem em um processo de melhora gradual e constante. Se você comparar a situação de agora com relação ao ano passado, por exemplo, você pode notar uma melhora considerável no ordenamento de tudo. Isso é um processo gradual e contínuo, que passa desde a organização do comércio até a formação das pessoas que trabalham na praia”, comentou
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