A equipe do Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado pelo Instituto Argonauta, encontrou uma pseudorca (Pseudorca crassidens) morta em alto mar, durante monitoramento embarcado, na última segunda-feira (3/8). Após o resgate, a carcaça foi rebocada até a Praia Grande, em São Sebastião, onde está localizada a Unidade de Estabilização do Instituto Argonauta.
O animal, uma fêmea com aproximadamente quatro metros de comprimento, apresentava um apetrecho de pesca enroscado no corpo. No local, foi iniciada a necropsia para investigar as possíveis causas da morte, além da coleta de amostras biológicas que serão encaminhadas para laboratórios especializados.
As análises contribuirão para ampliar o conhecimento sobre a saúde da espécie e identificar possíveis fatores relacionados ao óbito. Após a conclusão dos procedimentos, a carcaça será destinada, seguindo rigorosamente os protocolos de biossegurança e a legislação ambiental vigente.
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A médica-veterinária Mariana Zillio, responsável pelos atendimentos na Unidade de Estabilização de São Sebastião, afirma que a investigação científica é essencial para compreender o caso.
“Cada ocorrência como essa representa uma oportunidade importante para ampliar o conhecimento sobre a saúde da fauna marinha e os impactos das atividades humanas no ambiente costeiro. A necropsia, aliada às análises laboratoriais, é fundamental para esclarecer as possíveis causas da morte e gerar informações que contribuam para a conservação da espécie. A presença de um apetrecho de pesca enroscado no animal também reforça a necessidade de ações voltadas à redução dos impactos das atividades humanas sobre a fauna marinha”, explicou Mariana.
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Hugo Gallo Neto, diretor-presidente do Instituto Argonauta, explica que há quase três décadas o projeto acompanha de perto a fauna marinha do litoral paulista e cada ocorrência registrada amplia o conhecimento sobre as espécies. “Precisamos entender a cada dia quais são as ameaças e os desafios para a conservação dessas espécies. Esse trabalho contínuo é essencial para subsidiar pesquisas, orientar políticas públicas e contribuir para a proteção dos ecossistemas marinhos”, concluiu Neto.
Pseudorca
A pseudorca (Pseudorca crassidens) é um cetáceo da família dos golfinhos (Delphinidae) que pode atingir cerca de seis metros de comprimento e pesar mais de uma tonelada. Apesar do nome popular, não se trata de uma orca, mas de uma espécie de golfinho de grande porte.
Vive em grupos sociais e alimenta-se principalmente de peixes e lulas, ocupando o topo da cadeia alimentar marinha. De distribuição cosmopolita, a espécie ocorre em águas tropicais e subtropicais dos oceanos, preferencialmente em regiões oceânicas profundas, embora possa se aproximar da costa em determinadas situações.
No litoral brasileiro, os registros são considerados pouco frequentes, tornando cada ocorrência uma importante fonte de informações para pesquisas sobre sua biologia, distribuição e conservação.
#PraTodosVerem:Conjunto de imagens do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos registra o resgate e a necropsia de uma pseudorca (Pseudorca crassidens). Inicialmente, a equipe organiza extensas redes de pesca azuis em um pátio pavimentado na orla. Em seguida, o animal aparece morto e preso a redes na areia de uma praia, sob o cercamento de uma placa solicitando distância ao público. Técnicos vestidos com trajes de proteção brancos e macacões laranjas realizam o exame necroscópico utilizando uma mesa de apoio com instrumentos cirúrgicos. Por fim, a pseudorca é mostrada no mar, marcada com galões flutuantes e uma bandeira preta de sinalização sob céu nublado. Fim da descrição.