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Chacina de Camaragibe: oito PMs são denunciados pelo MPPE por mais dois crimes

Chacina de Camaragibe: oito PMs são denunciados pelo MPPE por mais dois crimes

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Diário de Pernambuco
02/07/2026 às 15h35
Chacina de Camaragibe: oito PMs são denunciados pelo MPPE por mais dois crimes

Chacina de Camaragibe: oito PMs são denunciados pelo MPPE por mais dois crimes.

 

Nova ação penal do MPPE trata da execução de Maria José Pereira da Silva e Maria Nathália Campelo do Nascimento, mãe e esposa do vigilante Alex da Silva Barbosa, em 2023

Os oito policiais militares já denunciados pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) pela morte dos três irmãos de Alex da Silva Barbosa, conhecido como Alex Samurai,foram novamente denunciados por uma nova ação penal relacionada à sequência de crimes que ficou conhecida como Chacina de Camaragibe.

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Desta vez, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) denunciou os militares pelos assassinatos de Maria José Pereira da Silva e Maria Nathália Campelo do Nascimento, mãe e companheira do vigilante, executadas na madrugada de 15 de setembro de 2023, no município de Paudalho, na Zona da Mata Norte.

Nesta quinta-feira (2), a equipe de reportagem do Diario de Pernambuco teve acesso à denúncia apresentada à 1ª Vara Criminal de Camaragibe.

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No documento, o Ministério Público sustenta que os homicídios integraram uma operação de vingança desencadeada após a morte do soldado Eduardo Roque Barbosa de Santana e do cabo Rodolfo José da Silva, mortos durante um confronto com Alex Samurai, horas antes, no bairro de Tabatinga, em Camaragibe.

Segundo a acusação, a resposta de parte dos policiais militares extrapolou qualquer atuação policial e deu origem a uma verdadeira “missão de extermínio”, voltada à localização e execução não apenas de Alex, mas também de familiares dele.

O documento afirma que a ofensiva foi organizada por oficiais da corporação, mobilizou dezenas de policiais militares, alguns atuando à paisana, utilizando veículos descaracterizados, placas ocultadas ou adulteradas e, em alguns casos, com os rostos cobertos por balaclavas.

Foram denunciados os tenentes-coronéis Fábio Roberto Rufino da Silva, então comandante do 20º Batalhão da Polícia Militar, e Marcos Túlio Gonçalves Martins Pacheco, que ocupava o segundo posto de comando da Diretoria de Inteligência da PMPE.

Também são acusados os policiais militares Romoaldo de Oliveira Guerra, Moisés Delfino de Souza, Thiago Dizeu de Souza, Geraldo Nascimento de Souza, Rodrigo Augusto Venâncio e Thiago Firmino Tavares.

Os seis últimos são apontados pelo MPPE como executores diretos do duplo homicídio.

Já Fábio Rufino e Marcos Túlio são acusados de comandar a operação, acompanhar a movimentação dos policiais em tempo real e deixar de impedir os assassinatos, apesar da posição hierárquica e do dever funcional de agir.

“Na condição de comandantes das forças policiais lançadas em campo, Fábio Rufino e Marcos Túlio tinham a obrigação de impedir as ações ilegais perpetradas por seus comandados. (…) A passividade transformou-se em autorização para as bárbaras execuções sumárias”, afirma trecho da denúncia.

Os oito foram denunciados por duplo homicídio qualificado por motivo torpe, caracterizado, segundo o MPPE, pelo sentimento de vingança e mediante recurso que impossibilitou a defesa das vítimas.

Elas teriam sido sequestradas, mantidas sob domínio dos policiais, violentadas fisicamente, psicologicamente e ameaçada, até serem executadas sem qualquer possibilidade de reação.

Além do recebimento da denúncia, o MPPE requereu à Justiça a decretação da prisão preventiva dos acusados, alegando a gravidade concreta dos fatos e a existência de indícios de ocultação de provas, como troca de aparelhos celulares e desativação de dados durante as investigações.

Subsidiariamente, pediu o afastamento dos policiais das funções exercidas na corporação.

O órgão também solicita que os denunciados sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri e condenados ao pagamento de indenização mínima de R$ 1 milhão pelos danos morais causados às famílias das vítimas, além de pensão.

Missão de extermínio

Na denúncia, o Ministério Público afirma que os assassinatos de Maria José e Maria Nathália não foram episódios isolados, mas parte de uma sequência de ações coordenadas por policiais militares após a morte dos dois colegas de farda.

Segundo o documento, logo após o confronto em Tabatinga, dezenas de policiais passaram a procurar Alex Samurai e familiares dele em diversos pontos de Camaragibe.

A acusação sustenta que a intenção era localizar o vigilante e pessoas próximas a ele para promover uma retaliação.

“A partir desse trágico episódio, dezenas de policiais militares, movidos por um inaceitável sentimento de vingança corporativista, iniciaram uma verdadeira caçada humana com o claro intuito de assassinar Alex e seus parentes”, registra a denúncia.

Ainda conforme o MPPE, antes do início da ofensiva foi realizada uma reunião nas proximidades da Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP).

Para os promotores, o encontro serviu para reunir informações de inteligência e organizar a atuação dos policiais envolvidos na operação.

Os relatórios técnicos produzidos durante a investigação, segundo o Ministério Público, apontam que, após esse encontro, os policiais seguiram em três veículos descaracterizados, um HB20 branco, um HB20 cinza e um Volkswagen Fox prata, para dar início às ações que culminaram no sequestro e na execução das duas mulheres.

Relembre o caso

A sequência de crimes teve início na noite de 14 de setembro de 2023, quando o soldado Eduardo Roque Barbosa de Santana, de 33 anos, e o cabo Rodolfo José da Silva, de 38, morreram durante um confronto armado com Alex Samurai, no bairro de Tabatinga, em Camaragibe.

Na troca de tiros, a moradora Ana Letícia Carias, que estava grávida, foi atingida por uma bala perdida. Ela morreu semanas depois em decorrência dos ferimentos, enquanto a filha sobreviveu.

Horas após o confronto, três irmãos de Alex, Ágata Ayanne da Silva, 30, Amerson Juliano da Silva e Apuynã Lucas da Silva, ambos de 25 anos, foram assassinados.

O caso ganhou repercussão nacional porque Ágata transmitia uma live nas redes sociais quando os criminosos chegaram ao local e os disparos começaram.

Na manhã seguinte, os corpos de Maria Nathália Campelo do Nascimento e Maria José Pereira da Silva foram encontrados em um canavial às margens da PE-027, em Paudalho.

O vigilante foi localizado e morto em um novo confronto com policiais militares no dia 15 de setembro. A investigação sobre essa ocorrência foi arquivada após a conclusão de que houve legítima defesa por parte dos agentes.

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