
Pesquisa mostra amplo conhecimento do caso envolvendo Daniel Vorcaro e indica que a maioria dos brasileiros vê suspeitas nas conversas reveladas entre o senador e o ex-banqueiro.
O caso envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro começa a produzir efeitos políticos concretos sobre a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (10) mostra que a maioria dos brasileiros associa o episódio a suspeitas de irregularidades e vê com ressalvas a relação do senador com Vorcaro.
O levantamento indica que o tema já alcançou ampla parcela do eleitorado. Segundo a pesquisa, 67% dos entrevistados afirmam conhecer o caso, sendo 42% bem informados e 25% parcialmente informados. Outros 33% disseram não conhecer o escândalo.
Quando questionados sobre o pedido de financiamento feito por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, 65% responderam que o senador errou e deveria ter evitado a iniciativa. Apenas 17% consideram que ele acertou e que não havia problema na aproximação. Outros 18% não souberam responder.
A percepção negativa se repete na avaliação sobre os diálogos revelados entre Flávio e Vorcaro. Para 60% dos entrevistados, as conversas levantaram suspeitas sobre possíveis atitudes ilegais. Apenas 19% afirmaram que os contatos foram normais. Outros 21% não souberam opinar.
A desconfiança também aparece quando a pesquisa pergunta diretamente se Flávio poderia estar escondendo algum envolvimento ilegal relacionado ao caso.
Nesse cenário, 58% acreditam que o senador pode estar ocultando participação em irregularidades, enquanto 27% avaliam que ele não tem envolvimento. Outros 15% preferiram não responder.
A percepção fica ainda mais dura na questão sobre o conhecimento prévio de Flávio em relação aos problemas envolvendo Vorcaro. Para 62% dos entrevistados, o senador sabia que o ex-banqueiro estava envolvido em corrupção. Apenas 26% acreditam que ele não tinha conhecimento da situação.
A Quaest também mediu os efeitos eleitorais do episódio. Questionados sobre como as notícias envolvendo Flávio e Vorcaro afetam sua disposição de voto, 12% afirmaram que passaram a ter menos vontade de votar no senador. Apenas 6% disseram que a revelação aumentou sua disposição de apoiá-lo.
Entre os entrevistados, 50% afirmaram que continuariam sem votar em Flávio independentemente do caso. Outros 26% disseram que continuariam votando nele mesmo após as revelações.
Os números sugerem que o caso tem pouca capacidade de ampliar o eleitorado do senador e tende a reforçar resistências já existentes, especialmente entre eleitores independentes e não alinhados ao bolsonarismo.
A pesquisa também perguntou quem teve a imagem mais afetada pelo escândalo do Banco Master.
Para 44% dos entrevistados, todos os envolvidos foram prejudicados. A família Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 16%, à frente do governo Lula (10%), do STF (7%), do Banco Central (4%) e do Congresso Nacional (2%).
O dado representa uma piora para o grupo político ligado ao senador. Em maio, apenas 9% apontavam a família Bolsonaro como a principal afetada pelo caso. Em junho, esse percentual saltou para 16%.
A Quaest entrevistou 2004 eleitores, entre 05 e 08 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo e o nível de confiança é de 95%.