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Jornada debate desafios da saúde da mulher e defende ampliação de políticas públicas em MT

Evento promovido na Assembleia Legislativa reuniu especialistas para discutir prevenção, saúde mental e fortalecimento da rede de atendimento às mu...

Redação
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa - MT
09/06/2026 às 23h42
Jornada debate desafios da saúde da mulher e defende ampliação de políticas públicas em MT
Foto: ANGELO VARELA / ALMT

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por intermédio do deputado Paulo Araújo (Republicanos), realizou a 1ª Jornada Mato-Grossense de Saúde da Mulher, nesta terça-feira (9), no auditório Milton Figueiredo. O debate teve como objetivo fortalecer a conscientização sobre a saúde feminina, e ampliar o acesso à informação de qualidade.

Com o tema “Cuidar de Si é o primeiro passo para uma vida plena”, a jornada busca incentivar o autocuidado, a prevenção de doenças e fortalecimento das redes de apoio às mulheres. A programação contou com palestras ministradas por profissionais reconhecidas, abordando assuntos, que vão desde a saúde ginecológica até a saúde mental e o enfrentamento à violência contra a mulher.

De acordo com médica ginecologista, Vânia Viana, que falou do tema “Saúde Ginecológica da Mulher, a dificuldade de acesso a exames básicos, a demora para diagnósticos e o longo tempo de espera por tratamentos especializados continuam sendo alguns dos principais desafios enfrentados pelas mulheres na rede pública de saúde.

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Ela, que está atuando em Mato Grosso há mais de duas décadas, aponta a necessidade de políticas públicas permanentes e efetivas voltadas à saúde feminina. Segundo a médica, procedimentos considerados simples, como a realização de exames preventivos, mamografias e ultrassonografias, ainda estão fora do alcance de muitas pacientes.

Como consequência, diversas mulheres acabam chegando aos serviços de saúde apenas quando a doença já apresenta sintomas ou está em estágio mais avançado. “São exames básicos que muitas vezes não conseguem ser realizados. Quando a mulher finalmente consegue atendimento, geralmente já está enfrentando algum problema de saúde. Precisamos mudar essa realidade”, afirmou Viana.

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Além da prevenção, a especialista destaca as dificuldades enfrentadas por pacientes que aguardam cirurgias ginecológicas para doenças benignas, além da demora para a confirmação de diagnósticos e início de tratamentos em casos de câncer.

Viana ressalta que a atenção à saúde da mulher não deve se limitar ao combate ao câncer. Doenças como a endometriose, que afeta milhões de brasileiras, e questões relacionadas à menopausa também precisam ser incorporadas de forma mais ampla às políticas públicas.

“A mulher precisa de assistência integral. Muitas pacientes com endometriose não encontram locais adequados para tratamento. A menopausa também exige acompanhamento e informação. É preciso olhar para a saúde feminina de forma completa”, observou a ginecologista.

Outro ponto destacado foi a necessidade de ampliação da estrutura especializada em Mato Grosso. Para a médica, um estado com a dimensão territorial e a importância econômica de Mato Grosso precisa contar com um hospital materno-infantil de referência capaz de atender tanto a capital quanto os municípios do interior.

“Precisamos de uma estrutura completa, com maternidade, exames especializados, ultrassonografia e atendimento de alta complexidade. Mato Grosso tem condições de oferecer isso à população”, avaliou.

Representando o deputado estadual Paulo Araújo  (Republicanos), Dúbia Oliveira Campos destacou que a 1ª Jornada da Saúde da Mulher foi realizada com o objetivo de discutir temas alinhados à realidade enfrentada pelas mulheres e contribuir para a construção de um projeto voltado inicialmente aos municípios de Cuiabá e Várzea Grande.

Segundo ela, a proposta é expandir a iniciativa para as regionais, aproximando os serviços da população por meio de uma equipe multidisciplinar capacitada para promover o diagnóstico precoce e o acompanhamento de mulheres com maior propensão ao câncer.

A psicóloga Adriana Kliemaschewsk, que falou sobre os desafios da saúde mental feminina, destacando questões como sobrecarga emocional e promoção do bem-estar, chamou a atenção à necessidade de ampliar políticas públicas voltadas ao acolhimento e à promoção da saúde feminina, destacando que as mulheres apresentam índices mais elevados de ansiedade e depressão em comparação aos homens.

Segundo a especialista, a realidade vivida por muitas mulheres é marcada por múltiplas responsabilidades, que vão desde as atividades profissionais até os cuidados com a família e a comunidade. Esse acúmulo de funções acaba gerando uma sobrecarga emocional que afeta diretamente a qualidade de vida e o bem-estar.

"A mulher enfrenta jornadas múltiplas, além de lidar com desigualdades sociais e com uma responsabilidade maior relacionada ao cuidado. Tudo isso contribui para o aumento dos quadros de ansiedade e depressão", explicou.

Durante sua fala, a psicóloga ressaltou que a saúde deve ser compreendida de forma integral, envolvendo aspectos físicos, mentais e sociais. Para ela, cuidar da saúde mental feminina é tão importante quanto garantir acesso a exames, consultas e tratamentos médicos.

A psicóloga também destacou a relevância do debate promovido pela Assembleia Legislativa e o papel estratégico do poder público na formulação de ações voltadas às mulheres. De acordo com ela, os impactos do sofrimento emocional feminino ultrapassam a esfera individual e refletem diretamente na dinâmica familiar, comunitária e profissional.

"Quando uma mulher sofre, esse sofrimento não fica restrito a ela. Ele alcança a família, a comunidade e os ambientes de trabalho. Por isso, precisamos compreender a saúde mental da mulher como uma questão de saúde pública", afirmou.

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