
A Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), presidida pelo deputado Arilson Chiorato (PT), recebeu nesta segunda-feira (8) um documento solicitando acompanhamento, fiscalização e apuração de possíveis impactos ambientais, climáticos, urbanísticos e sociais relacionados ao Programa Inter 2. A carta, elaborada pela ativista climática e socioambiental Verônica Rodrigues, também pede a revisão do Plano Diretor de Curitiba.
O ofício reúne uma série de questionamentos sobre a execução das obras, especialmente em relação à supressão de árvores, aos impactos na cobertura vegetal da cidade, à transparência dos processos decisórios e à efetividade dos mecanismos de participação popular. Segundo a ativista, os argumentos apresentados não se opõem aos investimentos em mobilidade urbana e transporte coletivo, mas questionam se o modelo adotado é compatível com os desafios ambientais e climáticos enfrentados pela capital paranaense.
Por meio do documento, a ativista solicita a divulgação do número de árvores já removidas e das que ainda poderão ser suprimidas, bem como a publicação de estudos técnicos e laudos que fundamentaram as autorizações de corte. Além disso, cobra a apresentação de avaliações sobre os impactos das obras na temperatura urbana, na drenagem, na biodiversidade e na qualidade do ar.
Também requer informações detalhadas sobre a compensação ambiental, os estudos que embasaram os investimentos estimados em R$ 1,2 bilhão no Programa Inter 2, os resultados esperados para a mobilidade urbana e os critérios técnicos adotados para intervenções viárias em diferentes regiões da cidade.
Outro ponto abordado é a preocupação com os impactos sociais e econômicos das obras, incluindo possíveis danos a edificações, fechamento de estabelecimentos comerciais e medidas adotadas para prevenir ou reparar os prejuízos causados pelas intervenções. Há ainda solicitações específicas relacionadas ao Parque Linear Arthur Bernardes, como a revisão do projeto em execução, a reavaliação da ampliação de faixas de tráfego e a expansão dos espaços verdes na região.
Ao encaminhar o documento à Comissão de Meio Ambiente, Verônica Rodrigues sugere ainda à Alep a realização de audiências públicas, a criação de grupos de trabalho ou outros instrumentos institucionais que permitam aprofundar a análise dos impactos associados ao Programa Inter 2 e à revisão do Plano Diretor.
Para o presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais, deputado Arilson, a participação da sociedade é fundamental para garantir que grandes intervenções urbanas ocorram com transparência e respeito ao interesse público. "Recebemos este documento com a responsabilidade de quem compreende a importância do controle social e da preservação ambiental", afirma.
"A Comissão irá analisar cuidadosamente as demandas apresentadas e buscar as informações necessárias para que a população tenha clareza sobre os impactos, os benefícios e os critérios que orientam essas decisões. Curitiba precisa avançar em mobilidade e desenvolvimento urbano, mas isso deve acontecer em sintonia com a proteção ambiental, a adaptação às mudanças climáticas e o diálogo permanente com a sociedade", complementa Chiorato.