
No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, o governo do Estado destaca um investimento histórico de R$ 622,6 milhões em programas, projetos e ações voltadas à preservação ambiental, ao desenvolvimento sustentável e ao enfrentamento das mudanças climáticas. Os dados abrangem o período de 2019 até o primeiro trimestre de 2026 e refletem a consolidação de uma agenda ambiental mais ampla e estratégica no Rio Grande do Sul.
Coordenadas pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), as iniciativas evidenciam uma mudança de paradigma: se antes a pauta ambiental estava concentrada na preservação de recursos naturais, hoje incorpora temas como transição energética, adaptação climática, monitoramento de riscos, redução de emissões e promoção do desenvolvimento sustentável.
Os valores consideram recursos empenhados, etapa em que o governo reserva o orçamento para determinada finalidade, garantindo a execução das políticas públicas planejadas. A secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, destacou que as ações se baseiam em dados qualificados, inovação e atuação integrada, garantindo uma agenda ambiental consistente e de longo prazo.
“O Rio Grande do Sul vem consolidando uma política ambiental moderna, baseada em ciência, planejamento e integração entre setores. Esses investimentos demonstram nosso compromisso em proteger o meio ambiente, preparar o Estado para os desafios climáticos e, ao mesmo tempo, promover desenvolvimento sustentável e qualidade de vida para a população”, afirmou a secretária.
Planejamento e monitoramento climático
Entre os principais eixos de investimento estão ações de prevenção e monitoramento. Mais de R$ 45,7 milhões já foram empenhados em estudos técnicos, como levantamentos topográficos e batimétricos, fundamentais para compreender as características do território e o relevo subaquático de rios e lagos. Esses dados subsidiam políticas públicas mais precisas e eficazes no enfrentamento de eventos climáticos extremos. Novos estudos, não contabilizados ainda nesse valor, voltados às lagoas e aos rios do Litoral Norte e do Alto Jacuí, bem como à Lagoa dos Patos, também estão previstos para os próximos meses.
Outra iniciativa de destaque é o ClimaRS, plataforma digital que reúne informações meteorológicas, hidrológicas e de riscos em um único ambiente. Com acesso gratuito, o sistema permite que a população acompanhe, em tempo real, dados climáticos e a situação dos rios em diferentes regiões do Estado, além de alertas integrados da Defesa Civil.
Estratégias para enfrentamento das mudanças climáticas
Do total investido, cerca de R$ 11,8 milhões foram destinados ao Programa Proclima 2050 , que estrutura as ações estaduais de enfrentamento às mudanças climáticas. Entre os projetos, destaca-se o Roadmap Climático , ferramenta que mapeia vulnerabilidades e orienta estratégias de mitigação e adaptação nos municípios gaúchos.
Também integra esse conjunto o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) , que incentiva a conservação de ecossistemas. O primeiro edital, lançado em 2024, selecionou sete Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), com repasse total de R$ 425 mil ao longo de três anos. Já o segundo edital ampliou o escopo para práticas agrícolas sustentáveis na produção de arroz.
Ainda nessa frente, o Estado investe na ampliação do monitoramento da qualidade do ar, com novas estações integradas à Rede Ar do Sul, em Porto Alegre, Santa Maria e Caxias do Sul, fortalecendo a transparência e o acesso às informações ambientais.
Nos próximos dias, o governo do Estado deve lançar o Plano de Ação Climática do Rio Grande do Sul (Plac) e o Plano de Transição Energética Justa para as Regiões Carboníferas, ampliando o conjunto de políticas estruturantes na área.

Descarbonização e energia limpa
O Rio Grande do Sul também tem avançado na agenda de descarbonização, com iniciativas voltadas à transição energética. Um dos principais exemplos é o edital para desenvolvimento da cadeia de hidrogênio verde, que destinou R$ 102 milhões a projetos de produção de energia limpa. Quatro empresas foram contempladas, com expectativa de reduzir cerca de 4.740 toneladas de CO₂ equivalente por ano. A iniciativa posiciona o Estado como um dos pioneiros na implementação de políticas públicas voltadas ao hidrogênio verde no Brasil.
Os resultados dessa política de transição aliados à redução do desmatamento já aparecem nos indicadores: O RS está entre as unidades da federação com os menores índices de desmatamento do país. Na comparação com 2024, o resultado é ainda mais significativo: o RS apresentou redução de 73% na área desmatada, em um contexto de recuperação após os eventos meteorológicos extremos que impactaram o território.
Energia e desenvolvimento no meio rural
Outro destaque é o Programa Energia Forte no Campo, que busca qualificar a rede elétrica em áreas rurais, especialmente por meio da implantação de redes trifásicas. A iniciativa já investiu R$ 19,9 milhões nas quatro primeiras fases e já empenhou mais R$ 26,4 milhões na quinta etapa, que conta com um investimento inédito, o maior já disponibilizado pelo governo do Estado ao programa.
O objetivo é ampliar a capacidade energética no interior, promovendo qualidade de vida às famílias e impulsionando a produção agroindustrial. Na quinta fase, além de expandir as redes trifásicas no interior, a inclusão das subestações visa garantir a estabilidade de energia necessária para a adoção de novas tecnologias no campo, como sistemas de irrigação e automação agrícola.

Fundo do bem-estar animal
Como parte da ampliação das políticas ambientais, o governo do Estado instituiu o Fundo Estadual de Proteção e Bem-Estar dos Animais Domésticos, uma iniciativa inédita no Brasil. Regulamentado por decreto e com aporte inicial de R$ 5 milhões, o fundo representa um avanço na área ao estabelecer uma fonte contínua de financiamento para ações voltadas à causa animal.
A medida amplia o apoio a municípios, organizações da sociedade civil e instituições parceiras, além de garantir mais transparência, participação social e eficiência na aplicação dos recursos públicos destinados à proteção e ao bem-estar dos animais.
Modernização e inovação na gestão
A modernização dos sistemas também integra os investimentos estratégicos do governo. Desde 2019, mais de R$ 46,8 milhões foram aplicados na qualificação das plataformas digitais da Sema. Entre os principais avanços está a atualização do Sistema de Outorga de Uso da Água (Siout), que passou por melhorias de usabilidade, segurança e acessibilidade. O sistema agora conta com interface responsiva, preenchimento automático e validação em tempo real, facilitando o acesso e reduzindo erros no processo.
Reconstrução sustentável no Vale do Taquari
Na região do Vale do Taquari, uma iniciativa inédita alia sustentabilidade e reconstrução após as enchentes. Com investimento de R$ 2,1 milhões, o projeto transforma escombros de construções destruídas em material para recuperação de estradas rurais e infraestrutura local. A ação é realizada nos municípios de Cruzeiro do Sul e Arroio do Meio e representa uma solução inovadora que integra gestão de resíduos, mineração e resiliência climática.
Com um conjunto robusto de investimentos e políticas públicas estruturantes, o Rio Grande do Sul avança na consolidação de uma agenda ambiental estratégica, alinhada aos desafios contemporâneos. Ao integrar inovação, sustentabilidade e desenvolvimento, o Estado reforça seu compromisso com a proteção dos recursos naturais e com a construção de um futuro mais resiliente frente às mudanças climáticas.
Texto: Tamires Tuliszewski/Ascom Sema
Edição: Secom
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