
Com três décadas de história, a Bienal Internacional de Curitiba abre ao público, no dia 14 de junho, a sua 16ª edição no Museu Oscar Niemeyer e em diversos espaços culturais da cidade, reunindo mais de 300 artistas, de 38 países, dos cinco continentes, em uma ampla programação de exposições, instalações, performances e ações urbanas. Com o tema “LIMIARES”, sob curadoria de Adriana Almada e Tereza de Arruda, a Bienal propõe reflexões sobre as transformações do mundo contemporâneo e os limites cada vez mais fluidos entre o humano e o tecnológico, o natural e o artificial, o físico e o digital.
Reconhecida como uma das principais plataformas de arte contemporânea da América Latina, a Bienal reafirma nesta edição seu papel como espaço de intercâmbio internacional, experimentação estética e reflexão crítica sobre o presente. A programação segue até 15 de novembro de 2026 e reúne artistas, pesquisadores, cientistas e estudantes em projetos que articulam pintura, instalação, performance, inteligência artificial, videoarte, fotografia, arte sonora e experiências em realidade aumentada.
“Mais do que um conceito, LIMIARES é uma atitude curatorial: habitar a fronteira, permanecer no entre, criar a partir da incerteza, gerando novos caminhos”, afirmam as curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda no texto curatorial.
MON COMO EPICENTRO- O principal núcleo expositivo da Bienal acontece no Museu Oscar Niemeyer (MON), parceiro histórico da mostra e espaço indissociável de sua trajetória. A Bienal ocupará o Olho, a Torre, a Rampa, cinco salas expositivas e entressalas, aprofundando uma relação construída ao longo de mais de duas décadas e marcada por exposições emblemáticas da arte contemporânea internacional.
Ao longo de sua história, o MON recebeu momentos marcantes da Bienal, como a performance de Marina Abramović em 2009; a grande mostra de arte cinética de Julio Le Parc no Olho, em 2015; a exposição coletiva de artistas chineses em 2017; e a apresentação da icônica escultura “Spider”, da franco-americana Louise Bourgeois, em 2019.
“Mais uma vez, o maior museu de arte da América Latina abre as portas para abrigar a Bienal Internacional de Curitiba, que chega a sua 16ª edição e tem o Museu Oscar Niemeyer como a sua principal sede”, diz a diretora-presidente Juliana Vosnika.
O grande destaque desta edição será a exposição “Poéticas da Memória e da Matéria”, com curadoria de Tereza de Arruda e protagonizada por Chiharu Shiota, um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea mundial. Reconhecida por suas instalações imersivas construídas a partir de fios, objetos cotidianos e arquiteturas emocionais, a artista ocupará o Olho e os espaços Araucária 1 e Araucária 2 do MON com quatro obras inéditas e site-specific concebidas especialmente para Curitiba.
A instalação principal utilizará cerca de 300 quilômetros de fios – distância equivalente ao trajeto entre Curitiba e Florianópolis – tornando-se a maior instalação site-specific da artista já realizada na América do Sul.
“Sua poderosa obra, assim como de outros artistas asiáticos que participam da Bienal, também faz um diálogo com a coleção daquele continente que pertence ao MON”, acrescenta Juliana.
A Bienal fez uma chamada pública internacional para integrar cartas, desenhos e relatos pessoais enviados pelo público à obra de Shiota, ação que já mobilizou centenas de participantes. Em diálogo com a poética da artista japonesa radicada em Berlim (Alemanha), a Torre do MON reunirá obras de artistas brasileiros como Iêda Jardim, André Azevedo, Evandro Soares, James Kudo, Luiz Mauro e Marina Camargo.
Destaca-se também em LIMIARES o renomado artista espanhol Max Esteban, cuja produção artística se debruça na crítica da condição humana frente à tecnologia por meio da fotografia e da videoarte. Outro artista contemporâneo que se revelará ao público no MON é o chinês Xia Hang, reconhecido por suas esculturas mecânicas interativas feitas de aço inoxidável polido, que misturam a estética cyberpunk com o conceito lúdico de "brinquedos para adultos".
CURADORIA INTERNACIONAL- O texto curatorial da 16ªBienal é assinado por Adriana Almada e Tereza de Arruda. A edição está estruturada a partir de diferentes eixos, desenvolvidos por uma equipe internacional de curadores convidados que articulam núcleos expositivos próprios, muitas vezes conectados entre si por aproximações conceituais, territoriais e tecnológicas.
Crítica de arte, escritora e editora argentina radicada no Paraguai, Adriana Almada é reconhecida por sua forte atuação na investigação da arte contemporânea latino-americana. Ex-vice-presidente da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), em Paris, foi condecorada pelo Governo da França com a Ordem das Artes e Letras.
Dividindo a direção curatorial da Bienal, a historiadora da arte brasileira Tereza de Arruda traz a experiência de quem transita entre São Paulo e Berlim desde 1989, com projetos consolidados na Europa, Ásia e Américas e atuação junto à Bienal de Havana (Cuba).
Entre os curadores convidados está o hispano-argentino Ferran Barenblit, conhecido internacionalmente por discutir o papel político e social das instituições culturais. Ex-diretor do MACBA, em Barcelona, Barenblit divide com Adriana Almada a curadoria da exposição “Cartografia Provisória”, do artista espanhol Max Esteban, no MON.
A conexão com a produção asiática contemporânea se estabelece com as curadoras chinesas Xiao Ge e Windy Lv, que trazem à Bienal um olhar marcado pelo rigor histórico e conceitual. No MON, propõem reflexões sobre meio ambiente, temporalidade e as transformações da experiência contemporânea a partir do diálogo entre arte, tecnologia e cultura visual do leste asiático.
Com passagem pela Bienal del Fin del Mundo (Argentina) e reconhecido por descobrir e impulsionar novos talentos das gerações emergentes, o italiano Massimo Scaringella assina a curadoria do eixo “Rifrações” ao lado de Antonella Pisislli. A mostra de videoarte reúne artistas mulheres da Guiana Francesa, África e Albânia.
Já o norte-americano Royce W. Smith, atual reitor do College of the Arts da California State University, Long Beach, assina o eixo “Camuflagens”, investigação coletiva sobre percepção, tecnologia, ocultamento e construção da realidade contemporânea.
ESPALHADA PELA CIDADE- Além do MON, a programação ocupa mais de dez instituições culturais em Curitiba. Entre elas o Museu Paranaense (MUPA), o Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR), o Museu Alfredo Andersen, o Museu da Fotografia, o Museu da Gravura – Memorial de Curitiba, o Museu de Arte Indígena e o Museu Municipal de Arte (MuMA).
Essa presença urbana, antecipada pela Curitiba Art Week e pelo Circuito Universitário da Bienal de Curitiba (CUBIC5), também se manifesta no sistema de transporte público da Capital, referência internacional em mobilidade urbana. A Bienal promoverá ativações em 22 terminais de ônibus, 300 paradas urbanas e mais de 1.000 ônibus da cidade. Durante toda a programação, até 15 de novembro, obras de videoarte com curadoria de Flavio de Carvalho serão exibidas nas TVs do sistema integrado, enquanto ações em realidade aumentada ocuparão terminais e estações-tubo. Essa programação começa no dia 16 de julho.
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba é promovida pelo Ministério da Cultura, MON, MAC Paraná e Paraná Festival – Governo do Paraná, por meio da Secretaria da Cultura (SEEC). Conta com apoio da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), da Prefeitura da Capital.
A BIENAL- A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba é um dos principais eventos de arte da América Latina e uma plataforma de referência para a produção e o pensamento contemporâneo. Realizada desde 1993, ocupa museus, galerias e espaços públicos com uma programação que reúne exposições, performances, instalações e ações educativas.
Com forte vocação para o diálogo internacional, a Bienal conecta artistas de diferentes países e promove encontros entre produção local e global. Ao longo de sua trajetória, já recebeu nomes como Marina Abramović, Julio Le Parc, Louise Bourgeois e Cildo Meireles. Além do circuito expositivo, destaca-se pelo impacto cultural e educativo, com programas de formação e ampliação de acesso à arte. Em sua última edição presencial, reuniu mais de um milhão de visitantes, consolidando Curitiba como um polo relevante no circuito internacional da arte contemporânea.
SOBRE O MON- O Museu Oscar Niemeyer (MON) é patrimônio estatal vinculado à Secretaria de Estado da Cultura. A instituição abriga referenciais importantes da produção artística nacional e internacional nas áreas de artes visuais, arquitetura e design, além de grandiosas coleções asiática e africana. No total, o acervo conta com aproximadamente 14 mil obras de arte, abrigadas em um espaço superior a 35 mil metros quadrados de área construída, o que torna o MON o maior museu de arte da América Latina.
Serviço:
16ª Bienal Internacional de Curitiba – LIMIARES
Abertura: 14 de junho de 2026
Visitação: até 15 de novembro de 2026
Grande núcleo expositivo:
Museu Oscar Niemeyer (MON) - Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico – Curitiba
Ingressos MON: R$ 36 (inteira) e R$ 18 (meia-entrada)
Entrada gratuita às quartas-feiras e no último domingo de cada mês.
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