
Parlamentar acusa a Fifa de explorar torcedores com preços dinâmicos e apoia investigação sobre suposta escassez artificial de entradas para o Mundial.
A polêmica envolvendo os preços dos ingressos da Copa do Mundo de 2026 ganhou dimensão política nos Estados Unidos. A deputada democrata Sydney Kamlager-Dove pediu que o presidente da Fifa Gianni Infantino, compareça ao Congresso americano para explicar a política de venda de entradas adotada pela entidade.
A parlamentar, que representa uma região de Los Angeles — uma das cidades-sede do Mundial — acusou a Fifa de promover uma espécie de “extorsão” contra os torcedores e comparou a atuação da entidade ao universo retratado na franquia cinematográfica “O Poderoso Chefão”.
A pressão ocorre a menos de duas semanas do início da competição, marcada para 12 de junho nos Estados Unidos, Canadá e México.
A crise ganhou força após os procuradores-gerais dos estados de Nova York e Nova Jersey anunciarem uma investigação sobre a venda de ingressos para o torneio. As autoridades apuram se a Fifa teria criado uma “escassez artificial” de entradas por meio do sistema de preços dinâmicos, prática que eleva os valores conforme a demanda aumenta.
Segundo Kamlager-Dove, 69 membros da Câmara dos Representantes já haviam enviado uma carta à Fifa em março questionando o modelo adotado pela entidade. Até agora, segundo ela, não houve resposta satisfatória.
— Estou feliz que os procuradores-gerais estejam investigando isso e levando o assunto a sério. No fim das contas, trata-se de acessibilidade e de impedir essa exploração promovida pela Fifa — afirmou ao Daily Mail.
A deputada disse apoiar integralmente uma eventual investigação do Congresso americano e defendeu que Infantino seja convocado a prestar esclarecimentos.
— Ele precisa comparecer e responder a essas perguntas. Estou apenas ecoando as preocupações dos torcedores do meu distrito — declarou.
A principal reclamação envolve os preços considerados proibitivos para grande parte dos fãs. A estreia da seleção inglesa, por exemplo, acontecerá em 17 de junho contra a Croácia no AT&T Stadium, com capacidade para 80 mil pessoas. Os ingressos mais baratos disponíveis custam 524 libras esterlinas, enquanto os mais caros chegam a 1.431 libras. Na cotação atual, os valores equivalem a aproximadamente R$ 3,9 mil e R$ 10,7 mil, respectivamente.
Os preços da final também chamaram atenção. Na fase inicial de vendas, os ingressos mais caros para a decisão de 19 de julho custavam 5.002 libras, cerca de R$ 37,5 mil, valor quatro vezes superior ao registrado na final da Copa do Mundo de 2022, no Catar.
Além das críticas aos preços, a Fifa enfrenta sinais de demanda abaixo do esperado em algumas partidas. Segundo dados citados pela imprensa americana, mais de 10 mil ingressos ainda estavam disponíveis para o jogo de abertura entre Estados Unidos e Paraguai no SoFi Stadium.
O número representa cerca de 10% da capacidade total da arena, que pode receber aproximadamente 100 mil espectadores. A situação é vista como potencialmente constrangedora para a Fifa, que promove a edição de 2026 como a maior Copa do Mundo da história.
Kamlager-Dove também pediu que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intervenha no caso. A congressista afirmou que o foco da organização do torneio deveria estar nos torcedores e não nos dirigentes da entidade.
A cobrança ocorre apesar da relação próxima entre Trump e Infantino nos últimos meses. A Fifa chegou a conceder ao presidente americano o chamado “Prêmio da Paz da FIFA”, iniciativa que gerou críticas de opositores e especialistas em governança esportiva.
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