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Governo vê margem para negociação após EUA ameaçarem tarifa de 25% ao Brasil

Governo vê margem para negociação após EUA ameaçarem tarifa de 25% ao Brasil

02/06/2026 às 10h23
Por: Redação Fonte: Estadão Noticias
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Governo vê margem para negociação após EUA ameaçarem tarifa de 25% ao Brasil

Governo vê margem para negociação após EUA ameaçarem tarifa de 25% ao Brasil.

 

Itamaraty e MDIC mantiveram conversas com representantes de Trump antes da divulgação de relatório que classificou práticas brasileiras como desleais.

Pouco mais de um ano após enfrentar tarifas impostas pelos Estados Unidos, o Brasil voltou a entrar na mira da política comercial do presidente Donald Trump. O governo americano propôs, em um documento publicado nesta terça-feira (2), a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 15 de julho.

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Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no entanto, ainda acreditam em uma saída negociada antes da entrada em vigor da medida.

A avaliação dentro do Itamaraty é que os canais diplomáticos permanecem abertos. Segundo interlocutores ouvidos pela CNN, há expectativa de que as conversas entre os dois países avancem nas próximas semanas, apesar da divulgação do relatório americano que concluiu haver práticas consideradas desleais por parte do Brasil.

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A nova ameaça ocorre após a administração Trump concluir que as práticas econômicas do Brasil são desleais, de acordo com a Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que abrange áreas como serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.

Evitar um novo tarifaço é um dos principais objetivos do presidente Lula, que se encontrou com Trump na Casa Branca, em Washington, em 7 de maio. Segundo o Planalto, o “tarifaço” revogado contra o Brasil foi um dos principais temas abordados na conversa entre os líderes.

Representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Ministério das Relações Exteriores já mantinham conversas com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer — que assina o relatório publicado pelos Estados Unidos contra o Brasil e fixa a data de 15 de julho para o início das tarifas como forma de sanção.

Houve uma reunião virtual realizada em 19 de maio entre equipes técnicas de ambos os governos e uma conversa direta entre Márcio Elias Rosa, ministro do MDIC, e Greer.
Embora o conteúdo das tratativas não tenha sido divulgado, integrantes do governo brasileiro afirmam que os encontros tiveram como objetivo preservar o diálogo e buscar alternativas para evitar uma nova rodada de sanções comerciais.

Anúncio da taxação ocorre após visita de Flávio

A divulgação do documento também provocou questionamentos dentro do governo brasileiro sobre o momento escolhido pelos Estados Unidos para tornar públicas suas conclusões.

O relatório foi divulgado uma semana após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participar de uma reunião com Trump na Casa Branca. Durante a visita, o parlamentar voltou a criticar decisões do Judiciário brasileiro e reforçou pedidos relacionados ao enquadramento de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos EUA.

Na ocasião, o pré-candidato criticou a liberdade de expressão no Brasil e reforçou seu pedido ao presidente norte-americano para que incluísse facções brasileiras na lista de grupos terroristas investigados pelos EUA — pedido atendido em anúncio do governo Trump dois dias depois.

O primeiro tarifaço imposto ao Brasil também ocorreu após uma visita do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao presidente norte-americano, que por sua vez tentou interferir no Judiciário brasileiro e amenizar ou livrar da pena o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de reclusão pela trama golpista.

Nos bastidores do Itamaraty, fontes ouvidas pelo Estadão avaliam que o relatório teria ignorado esclarecimentos apresentados pelo governo brasileiro durante a investigação, incluindo explicações sobre temas sensíveis para Washington, como o funcionamento do Pix e regras do sistema financeiro nacional.

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