Tuesday, 02 de June de 2026
25°

Tempo nublado

Caruaru, PE

Cidades Pernambuco

Pernambuco vai retomar monitoramento de tubarões pela UFRPE até julho

Pernambuco vai retomar monitoramento de tubarões pela UFRPE até julho

02/06/2026 às 08h40
Por: Redação Fonte: Agência Diario de Pernambuco
Compartilhe:
Pernambuco vai retomar monitoramento de tubarões pela UFRPE até julho

Pernambuco vai retomar monitoramento de tubarões pela UFRPE até julho.

 

UFRPE venceu edital lançado pelo governo do estado para monitorar tubarões por meio de microchips.

Após mais de 11 anos sem monitoramento dos tubarões no litoral pernambucano, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) iniciará, até julho, um novo programa de rastreamento das espécies que circulam pela costa do estado. A retomada ocorre em um momento crítico, após dois incidentes envolvendo tubarões registrados em pouco mais de 24 horas na Região Metropolitana do Recife.

Continua após a publicidade
Anúncio

No domingo (31), um menino de 11 anos foi mordido por um tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. A criança teve a perna esquerda amputada e permanece internada no Hospital da Restauração. No dia seguinte, uma jovem de 19 anos foi mordida por um tubarão-tigre na praia de Boa Viagem, no Recife, e também precisou ser submetida a procedimentos cirúrgicos.

É nesse cenário que o governo de Pernambuco vai retomar o programa de monitoramento dos tubarões no estado. O projeto foi selecionado na 19ª rodada do edital Ciência no Governo - Programa Cientista Arretado e contará com investimento superior a R$ 1 milhão ao longo de 24 meses.

Continua após a publicidade
Anúncio

O objetivo é compreender os padrões de deslocamento e comportamento das espécies de tubarão que frequentam a costa pernambucana, produzindo informações capazes de subsidiar políticas públicas de prevenção de incidentes.

Segundo o edital, Pernambuco registra ocorrências envolvendo tubarões desde o início da década de 1990. Atualmente, o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) contabiliza 184 incidentes e 27 mortes no estado. A maior parte dos registros ocorreu na Região Metropolitana.

Atualmente, o monitoramento permanente ocorre apenas no Arquipélago de Fernando de Noronha. Com o novo projeto, a iniciativa será ampliada para o litoral continental, tendo como foco prioritário o trecho de aproximadamente 33 quilômetros entre Cabo de Santo Agostinho e Olinda, área considerada crítica para a ocorrência desses incidentes.

O trabalho será coordenado pelo engenheiro de pesca e doutor em Oceanografia Biológica Paulo Vasconcelos de Oliveira, professor da UFRPE. Segundo ele, a metodologia utilizará tecnologia semelhante à empregada em estudos anteriores, mas com equipamentos mais modernos.

“O projeto de monitoramento para o qual fomos contemplados pelo edital consiste em capturar os animais, marcá-los com um chip transmissor e, em seguida, devolvê-los ao mar. Depois que esses animais são soltos, equipamentos instalados na água, chamados de receptores, passam a captar os sinais emitidos pelos indivíduos marcados. Com isso, conseguimos acompanhar o padrão de deslocamento e a forma como esses animais utilizam o espaço ao longo do litoral”, explica.

De acordo com ele, o monitoramento atual é mais moderno. “O sistema é baseado em marcas ultrassônicas acopladas aos animais e em receptores que serão instalados ao longo da costa para registrar a passagem dos indivíduos monitorados”, detalha.

O estudo terá como foco principal as duas espécies mais associadas aos incidentes registrados em Pernambuco, sendo eles o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-tigre. Os dados coletados serão integrados a informações oceanográficas, sensoriamento remoto e variáveis ambientais para identificar padrões de ocorrência e compreender por que determinadas áreas são mais utilizadas pelos animais em certos períodos.

Além da marcação dos tubarões e da instalação de receptores submersos, o projeto prevê a criação de uma plataforma digital para reunir dados científicos e comunitários, o desenvolvimento de protocolos de alerta de risco, ações de ciência cidadã com pescadores e usuários das praias e a elaboração de um Plano Estadual de Pesquisa e Monitoramento de Tubarões.

Para a secretária executiva do Cemit, Danise Alves, a retomada do monitoramento busca preencher uma lacuna científica que se arrasta há mais de uma década.

“Precisamos entender melhor como esses animais estão se deslocando ao longo da costa. Hoje, por exemplo, vemos um tubarão-cabeça-chata em um local e um tubarão-tigre em outro. Mas por quê? Com esse monitoramento, vamos ter uma noção melhor desse comportamento. E, atrelada à pesquisa, teremos informações sobre quais áreas apresentam maior frequência de uso por esses animais”, explica.

“A partir daí, somando o conhecimento científico às ações de educação e a outros tipos de pesquisa, conseguiremos preencher essas lacunas de conhecimento e aprimorar as estratégias de prevenção desses incidentes”, complementa a secretária-executiva.

A expectativa dos pesquisadores é que as informações obtidas permitam identificar áreas de maior e menor risco, compreender o comportamento dos tubarões ao longo da costa pernambucana e fornecer subsídios para medidas de prevenção mais eficazes, reduzindo as chances de novos incidentes com banhistas.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários