
Evento em Porto de Galinhas reúne especialistas para debater caminhos da educação brasileira.
Pernambuco vai sediar, em agosto, um congresso internacional voltado à discussão de soluções para problemas educacionais diante de desafios na rede pública de ensino do estado. Dados mais recentes do Censo Escolar, do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostram queda no número de matrículas e dificuldades de permanência escolar nos anos finais do ensino fundamental, além de problemas relacionados à aprendizagem.
É nesse contexto que o estado receberá, entre os dias 5 e 7 de agosto, o Congresso Internacional Finlândia - Brasil: Caminhos entre a Educação Finlandesa e Brasileira, no hotel Village Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul. O evento reunirá especialistas brasileiros e finlandeses, gestores públicos, diretores escolares e representantes da educação privada para discutir estratégias voltadas à aprendizagem, gestão escolar, permanência de estudantes e uso de tecnologia na educação.
Os debates ocorrerão em um momento em que Pernambuco enfrenta redução no número de estudantes matriculados na educação básica.
Segundo dados do Censo Escolar 2025, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o estado perdeu 45.299 matrículas entre 2024 e 2025. O total caiu de 2.121.954 para 2.076.655 estudantes, uma redução de aproximadamente 2,1%.
A retração mais expressiva ocorreu na etapa considerada mais crítica da educação básica, nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano.
O número de estudantes caiu de 547.841 para 532.050 em apenas um ano, redução de 15.791 matrículas. Em 2021, Pernambuco possuía 565.364 estudantes matriculados nessa etapa, mas em quatro anos perdeu 33.314 alunos dos anos finais do fundamental, retração de 5,9%.
Os dados do Inep mostram ainda que a maior parte desses estudantes pertence à rede pública. Dos 532 mil alunos matriculados nos anos finais em 2025, cerca de 420 mil estavam em escolas estaduais e municipais.
A transição entre infância e adolescência concentra alguns dos principais desafios educacionais do país e é nesse período que aumentam reprovação, abandono escolar, distorção idade-série e dificuldades de aprendizagem, especialmente em língua portuguesa e matemática.
Dados do Panorama da Rede Pública de Pernambuco, elaborado pelo MEC e pelo Inep, mostram que a distorção idade-série atinge 19,3% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental no estado. No ensino médio, o índice chega a 21,6%.
O levantamento também aponta taxas de evasão mais elevadas nas etapas finais da educação básica. Nos anos finais do ensino fundamental, a evasão registrada foi de 4,5%. Já no ensino médio, o percentual alcançou 7,6%.
Enquanto os anos finais registraram maior retração, os anos iniciais do ensino fundamental apresentaram estabilidade. O número de matrículas passou de 672.838 para 673.148 entre 2024 e 2025.
Segundo o Ideb 2023, divulgado pelo MEC e pelo Inep em 2024, Pernambuco alcançou nota 5,7 nos anos iniciais do ensino fundamental, indicador considerado positivo pelo Ministério da Educação.
O Ideb reúne dois critérios principais, sendo eles o desempenho dos estudantes nas provas do Saeb, especialmente em língua portuguesa e matemática, e as taxas de aprovação escolar medidas pelo Censo Escolar.
Apesar da melhora nos anos iniciais, os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio continuam sendo apontados pelo MEC como os maiores desafios da educação pública brasileira.
Parte desses temas estará nas discussões do congresso internacional que será realizado em Pernambuco.
A programação prevê debates sobre liderança escolar, engajamento de estudantes, inteligência artificial, arquitetura educacional, bem-estar no ambiente escolar e modelos de gestão desenvolvidos na Finlândia, país considerado referência internacional em educação.
Entre os participantes confirmados está o educador finlandês Pasi Sahlberg, pesquisador conhecido internacionalmente por estudos sobre políticas educacionais e autor do livro “Lições Finlandesas”. Também participarão o futurista Perttu Pölönen, especialista em educação e inteligência artificial, e o empreendedor Peter Vesterbacka, ligado a projetos globais de inovação e tecnologia.
“Não vai ser apenas uma conversa sobre a educação da Finlândia. A gente vai mostrar o que é possível adaptar para o Brasil. Eu gostaria que os resultados das escolas que eu já conheço, e que vão estar apresentando suas experiências, se multipliquem. Entre os resultados estão a melhora no aprendizado, a felicidade do aluno, a diminuição dos casos de bullying, a compreensão, o letramento principalmente, e o desenvolvimento do pensamento crítico”, afirma a CEO do Fórum Internacional, Ayla Patricia Huovi.
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