
"Ainda estamos no Maio Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre o trânsito — especialmente sobre a violência viária e a mortandade que assola nossas ruas e estradas."
Foi com esse alerta que o deputado estadual Goura iniciou seu pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), nesta segunda-feira (25), para denunciar o que classificou como prioridade histórica dos governos ao transporte motorizado em detrimento da vida.
O parlamentar sustentou que a alta letalidade nas vias urbanas e rodovias não pode ser tratada como fatalidade. Segundo ele, trata-se de consequência direta de decisões políticas e administrativas voltadas a atender automóveis e velocidade, enquanto pedestres, ciclistas e pessoas com deficiência permanecem expostos à insegurança.
"Um trânsito que não prioriza a vida das pessoas e que, na maior parte das nossas cidades, prioriza o fluxo motorizado — em especial de carros — é uma escolha política", afirmou.
O deputado reforçou que a insegurança enfrentada diariamente por quem depende da mobilidade ativa decorre diretamente da ausência de políticas públicas voltadas à proteção da vida. Para Goura, o desenho urbano das cidades reproduz uma lógica de exclusão e violência institucionalizada.
"A escolha por priorizar os automóveis nas nossas cidades, por privilegiar a pressa e a velocidade em detrimento da segurança dos pedestres, dos ciclistas e das pessoas com deficiência, é uma escolha política", reforçou.
Corte de árvores e resistência às ciclovias
Segundo o parlamentar, a omissão do poder público define, na prática, o modelo de cidade que está sendo construído no Paraná. Durante o pronunciamento, Goura citou exemplos concretos de intervenções urbanas realizadas por administrações municipais para favorecer o transporte individual motorizado.
"Quando um prefeito decide suprimir árvores para ampliar a faixa de circulação dos automóveis, é uma escolha política. Quando hesita em criar uma ciclovia ou um espaço exclusivo para o transporte coletivo porque isso vai 'incomodar' os motoristas, isso também é uma escolha política", criticou.
O deputado também afirmou que a manutenção de velocidades elevadas nas vias urbanas representa uma opção consciente dos gestores públicos. "Quando um prefeito não reduz a velocidade para salvar vidas e mantém limites altos em nome de um suposto fluxo dos carros, isso é uma escolha política."
Maio Amarelo além da propaganda
Goura defendeu que o Maio Amarelo precisa deixar de ser apenas uma campanha institucional de conscientização e se transformar em política pública permanente.
"Não pode servir apenas para distribuir fitinhas amarelas ou gastar recursos milionários em campanhas que não resultam em nada. Tem que promover conscientização real, que se transforme em ação e em políticas públicas efetivas para salvar vidas no trânsito", cobrou.
Lei Enzo e a meta "Morte Zero"
O deputado destacou a Lei Enzo como exemplo de norma orientadora para o enfrentamento à violência viária. A Lei Estadual 20.612/2021 estabelece diretrizes para a política "Morte Zero" no trânsito paranaense.
"Esta Casa aprovou, alguns anos atrás, a lei de nossa autoria, que prevê diretrizes para uma política 'Morte Zero' no trânsito. Essa política foi batizada em homenagem a um jovem de Curitiba, o Enzo, de 15 anos, que estava indo para a escola de bicicleta e perdeu a vida", relembrou.
O deputado afirmou que nenhuma morte no trânsito pode ser considerada aceitável. "Assim como o Enzo, milhares de pessoas perdem suas vidas em razão de uma escolha política que prioriza a velocidade em detrimento da vida."
BR-277 e estruturas cicloviárias
Goura também apresentou resultados obtidos na fiscalização das novas concessões rodoviárias no Paraná, especialmente na BR-277. Segundo ele, a pressão do movimento cicloativista e do mandato garantiu a inclusão de estruturas segregadas para ciclistas nos projetos em andamento.
"Cobramos que as novas concessões das rodovias, em especial da BR-277, contemplassem efetivamente ciclovias também nos trechos urbanos — e isso está acontecendo", afirmou.
"As obras da BR-277, com a ampliação das faixas e a construção da pista marginal, estão incluindo estrutura cicloviária. Isso é uma conquista do movimento cicloativista e uma escolha política. Teremos ciclovia na saída do Jardim Botânico até o pedágio e no trecho urbano da BR-277 em Paranaguá, o que vai garantir segurança para milhares de trabalhadores e trabalhadoras."
Ponte de Guaratuba e ciclofaixa em Antonina
No litoral do estado, Goura afirmou que o mandato também atua pela implantação de conexões cicloviárias seguras entre municípios. O deputado citou a inclusão de ciclovia no projeto da Ponte de Guaratuba, mas alertou para a ausência de segurança nos acessos rodoviários da região.
"Os estudantes e trabalhadores que vêm de Matinhos para Guaratuba não têm nenhuma segurança para circular. Por isso, já estamos oficiando o Governo do Estado para que realize essa intervenção viária e implante a ciclovia", afirmou.
O parlamentar também destacou uma intervenção articulada junto ao município de Antonina. "Garantimos recursos para a primeira ciclofaixa de Antonina, na Avenida Thiago Peixoto, logo na entrada da cidade."
Paraná Morte Zero
Ao encerrar o pronunciamento, Goura defendeu a mobilização social permanente para pressionar governos e consolidar políticas públicas voltadas à preservação da vida no trânsito.
"O que queremos, em suma, é que as intenções e os bons propósitos do Maio Amarelo se transformem em prática efetiva — em política pública concreta em defesa dos ciclistas, dos pedestres e das pessoas com deficiência."
O deputado concluiu com a defesa da meta de zerar as mortes no trânsito no estado. "Nós queremos um Paraná 'Morte Zero' no trânsito."
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