
Com o objetivo de articular políticas estratégicas e qualificar a formação dos profissionais de ensino no Estado, a Secretaria da Educação (Seduc) promoveu, na segunda-feira (25/5), o seminário do Fórum Permanente de Apoio à Formação de Professores (Forprofe-RS). O evento ocorreu no campus da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre, reunindo representantes do terceiro setor e de órgãos públicos, especialistas, além de autoridades da área educacional.
Os debates, divididos em diferentes painéis temáticos, abordaram questões e reflexões sobre a valorização docente e a formação inicial e continuada. A programação foi transmitida na íntegra pelo canal TV Seduc RS, no YouTube .
Além da Seduc, o encontro foi uma iniciativa realizada em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e com as universidades públicas e comunitárias que integram o fórum. O principal destaque foi o lançamento das Diretrizes Estaduais de Desenvolvimento dos Profissionais da Educação do Rio Grande do Sul, que estabelecem um conjunto de normas e um novo sistema de formação de base e de aperfeiçoamento.
Cooperação institucional
Durante a mesa de abertura, a titular da Seduc, Raquel Teixeira, comentou que o documento lançado representa a consolidação de ações que já são realizadas na Rede Estadual. “O que nós estamos lançando não são ações pontuais de formação. É uma política que fortalece o conhecimento pedagógico do professor, que estimula a inovação, e, acima de tudo, cria uma cultura de desenvolvimento profissional ao longo da trajetória do docente, vinculada ao trabalho que ele faz na sala de aula e aos resultados de aprendizagem," afirmou.
Raquel também ressaltou que o objetivo do seminário é integrar as diversas instituições para assegurar, assim, que as políticas educacionais sejam efetivadas na prática. "Para que uma política educacional seja realmente implementada, ela precisa se aplicar de forma coerente e coesa em todos os níveis e em todas as etapas. Isso envolve a Seduc, as coordenadorias regionais, as escolas e a sala de aula, como também instituições como o Tribunal de Contas, o Conselho de Educação, as universidades, o Ministério Público e as redes municipais, para que possamos ter uma política gaúcha de educação que responda às demandas desafiadoras do século 21 que nós vivemos”, enfatizou Raquel.
A presidente do Conselho Estadual de Educação, Fátima Ehlert, por sua vez, trouxe à tona os desafios recentes enfrentados pela rede de ensino. “Precisamos investir na formação dos professores diante de realidades que mudaram muito nos últimos anos, especialmente após a pandemia, os avanços tecnológicos e as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul. A educação precisa estar em movimento, respondendo aos desafios da realidade por meio de políticas públicas consistentes”, disse.
Representando o Ministério Público do Rio Grande do Sul, a promotora de Justiça Cristiane Della Mea Corrales defendeu a importância da articulação coletiva. “Por meio de momentos como esse, de escuta, de diálogo e também de capacitação, ouvindo especialistas que trazem muita experiência, diferentes olhares e subsídios, que conseguiremos vencer os desafios da escola. Essa interlocução de capacitações e o trabalho em conjunto geram muitas oportunidades para todos nós."
Atuação conjunta pela educação
O reitor da PUCRS, Irmão Manuir José Mentges, lembrou que a educação exige uma visão ampliada, reforçando que as instituições de ensino superior devem aproximar seus currículos dos problemas reais da educação básica. "Esse também é o momento de a universidade se colocar à disposição, porque a educação sempre é um ato coletivo. A educação requer constância e tempo; nós não mudamos os desafios educacionais de um lado para o outro. Nós precisamos criar uma cultura de valorização, de planejamento, de execução, de cuidado e de olharmos para o longo prazo, adotando uma estratégia para pensar currículos mais próximos dos reais problemas ou dos desafios da educação."
Pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), o vice-presidente da instituição, conselheiro Cezar Miola, chamou atenção para o dever de assumir um compromisso compartilhado. "Nós queremos formação qualificada em todos os elementos autorizados a participar desse processo. A fala do TCE é de aproximação e de diálogo continuado, pois a nossa responsabilidade é fazer parte desse processo de transformação, de mudança e de aprimoramento em relação às políticas públicas. Defender a escola pública é trabalhar exatamente para que ela seja uma instituição inclusiva, de qualidade, universal e, sobretudo, pautada pelo cuidado. Esse é o desafio que todos nós temos pela frente."
Logo após, a programação seguiu com o painel de lançamento das “Diretrizes Estaduais de Desenvolvimento dos Profissionais da Educação do RS”. Além de Raquel, estiveram presentes no palco a professora e consultora da Unesco, Débora Garofalo (premiada com oGlobal Teacher Influencer of the Year) e por Paulo Andrade (presidente do Instituto Iungo). A mediação ficou a cargo do subsecretário de Desenvolvimento da Educação da Seduc, Marcelo Jeronimo Araujo.
"O Rio Grande do Sul conta com uma secretaria forte e com escolas altamente mobilizadas e engajadas. Nosso papel é apoiar, estar junto e colaborar. Já construímos parcerias de sucesso no Ensino Médio gaúcho, no Programa Aprende Mais e na estruturação do projeto de vida dos estudantes. Desenvolvemos diversas ações formativas, mas sabíamos que era preciso ir além e sistematizá-las. Por isso, colaboramos ativamente no processo de elaboração dessas diretrizes, mantendo um olhar muito cuidadoso e coerente com as legislações estadual e federal”, destacou Andrade.
Na sequência, ocorreu o painel sobre “Desenvolvimento profissional docente e formação inicial”, reunindo a secretária Carla Moreira o Amaral (Undime), Antonio Mauricio Medeiros Alves (UFPel), Luciane Spanhol Bordignon (UPF) e Sherol Santos (Seduc), com mediação do professor Henri Fuchs (Anfope).
Apresentação das diretrizes
Alinhada à Agenda da Educação 2025-2035 , a política, lançada durante o fórum, busca consolidar a qualificação dos profissionais da educação, tendo como princípios a valorização docente, o desenvolvimento contínuo e a transformação pedagógica com base em evidências.
Para organizar as ações formativas e alcançar resultados como a melhoria da qualidade da aprendizagem, a redução das desigualdades e a governança de rede com o uso de tecnologia e inteligência artificial (I.A.), a nova política foi dividida em duas tipologias de formação:
Formações de base:voltadas ao fortalecimento das competências essenciais para o exercício das funções de cada perfil profissional na Rede Estadual de Ensino.
Formações de aperfeiçoamento:destinadas ao aprofundamento de conhecimentos específicos e ao desenvolvimento de especializações profissionais.
Assim, as diretrizes serão implementadas de forma prática por meio de quatro eixos estruturantes, que orientam e norteiam as ações na Rede Estadual:
Gestão educacional:fortalecimento das equipes diretivas e pedagógicas das escolas.
Regência de classe:formação continuada e adoção de novas metodologias para professores em atuação em sala de aula.
Equipes escolares de suporte e técnicas:qualificação dos servidores de apoio das escolas e dos técnicos da Seduc e das Coordenadorias Regionais de Educação (CREs).
Especialização docente:articulação com programas de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado) junto às universidades parceiras.
Debates e encerramento
A programação do seminário seguiu ao longo da tarde. Após o intervalo para o almoço, os trabalhos foram retomados com o painel "Desenvolvimento profissional docente e formação continuada", que contou com as contribuições de Carla Moreira do Amaral (Undime), Alexander Montero Cunha (UFRGS) e Adriana Kampff (PUCRS), sob mediação de Ana Carolina Melos (Seduc).
Na sequência, foi realizada uma atividade no formato de mesa redonda. Com o tema "Formação inicial e continuada sob a perspectiva das escolas – Pibid, extensão e pesquisa", participaram o professor César Lopes (UFRGS), o diretor Vinicius Soares (Escola Francisco Caldas Junior), a diretora Alessandra Lemes (Instituto de Educação General Flores da Cunha) e Haroldo Rocha (Movimento Profissão Docente), com mediação de Márcio André Rodrigues Martins (Unipampa).
"A agenda principal da educação são as pessoas. Ao contrário do que muitos dizem, o foco não é a tecnologia, que deve funcionar apenas como um acelerador e uma ferramenta. O nosso verdadeiro desafio é a qualificação das lideranças. Não basta dominar o conteúdo, é preciso saber ensinar. A profissão docente é feita de relações humanas. Uma criança não aprende por obra de um único professor, por melhor que ele seja, mas sim pelo esforço conjunto de todo o time da escola," afirmou Haroldo.
O encerramento do evento foi conduzido pela secretária-adjunta em exercício da Educação, Iracema Castelo Branco, que sintetizou os desafios impostos pelas mudanças da atualidade.
"Este seminário demonstra o valor do diálogo e da construção conjunta entre a Rede Estadual, as redes municipais, representadas pela Undime, e, principalmente, com os professores, que precisam de todo o nosso apoio. Estamos diante do desafio complexo de uma sociedade em profunda transformação, cujo futuro ainda não conhecemos plenamente. Com o avanço tecnológico, os modelos de trabalho mudam, mas existem elementos que a máquina jamais poderá reproduzir, pois pertencem à nossa essência humana: a educação e a aprendizagem," reforçou.
O seminário também contou com a presença de organizações do terceiro setor voltadas ao desenvolvimento docente, incluindo o Instituto Iungo, Instituto Reúna, Instituto Unibanco, Fundação Telefônica Vivo, Movimento Profissão Docente, Cenpre, Instituto Escola da Escolha, Instituto Natura e Instituto Sonho Grande.
Texto: Ascom Seduc
Edição: Secom
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