
A ex-vereadora Leo Kret é alvo de busca e apreensão da ‘Operação Sponsor’, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Bahia (MP-BA), na manhã desta terça-feira (26). A ação também mirou funcionários da Prefeitura de Salvador. A informação foi apurada pelo BNEWS.
Ela foi vereadora apenas uma vez, fazendo história ao se tornar, na época, a primeira parlamentar transexual do Brasil. Leo Kret cumpriu mandato na Câmara Municipal de Salvador entre os anos de 2009 e 2012, após ser eleita em 2008 pelo Partido da República (PR).
Atualmente no Partido Democrático Trabalhista (PDT), a ex-vereadora foi nomeada pelo prefeito Bruno Reis (União) como diretora-geral de Políticas e Promoção da Cidadania LGBT+ da Secretaria Municipal da Reparação (Semur), cargo que ocupa até hoje.
Alvos dentro da estrutura da prefeitura
Equipes do MP também cumpriram mandados de busca e apreensão no Edifício Thomé de Souza, prédio que concentra diversas secretarias municipais. Outras medidas judiciais também foram executadas em bairros da capital, como Pernambués, Graça, Itapuã e Comércio, além da cidade de Lauro de Freitas, na região de Jambeiro.
Suspeitas envolvem recursos públicos e Carnaval
De acordo com o MP, a operação investiga crimes de peculato, fraudes em processos licitatórios e desvios de recursos públicos que deveriam ser destinados a entidades carnavalescas e organizadores de Paradas LGBTI+ em Salvador.
No total, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em um órgão público, uma associação e endereços ligados a cinco pessoas físicas, entre elas servidores da Prefeitura de Salvador. A Justiça determinou o afastamento do presidente e do diretor-geral da associação, bem como de duas servidoras municipais investigadas.
Segundo as investigações, recursos públicos que deveriam ser destinados ao patrocínio de eventos carnavalescos e ações voltadas à comunidade LGBTI+ teriam sido desviados por meio de uma associação de fachada. De acordo com os promotores de Justiça, a associação teria recebido mais de R$ 1,1 milhão da Prefeitura de Salvador, sendo que parte desses recursos teria beneficiado integrantes da associação. Os valores deveriam viabilizar eventos em 57 bairros de Salvador, além do apoio a 18 blocos carnavalescos durante o Carnaval de 2025.
A apuração teve início após o MPBA receber informações e documentos apresentados por organizadores de eventos e integrantes da comunidade LGBTI+, relatando irregularidades na destinação de verbas públicas destinadas à realização do projeto “Caminhada da Diversidade LGBTI+”.
A operação foi deflagrada pelo Gaeco e pela Promotoria de Justiça de Proteção da Moralidade Administrativa, com apoio da Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos das Pessoas LGBTI+, da Central de Assessoramento Técnico Interdisciplinar (Cati) e da Polícia Militar, por meio do Comando de Policiamento de Apoio Operacional (CPAp).
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