Tuesday, 26 de May de 2026
25°

Tempo nublado

Caruaru, PE

Economia Economia

Mapa de Risco: como o discurso anti-crime da direita da Colômbia ecoa no Brasil

Mapa de Risco: como o discurso anti-crime da direita da Colômbia ecoa no Brasil

26/05/2026 às 08h59
Por: Redação Fonte: Agência Infomoney
Compartilhe:
Mapa de Risco: como o discurso anti-crime da direita da Colômbia ecoa no Brasil

Mapa de Risco: como o discurso anti-crime da direita da Colômbia ecoa no Brasil.

 

Avanço da violência fortalece direita colombiana e reforça tema que já pressiona Lula e deve dominar a disputa presidencial de 2026.

A eleição presidencial da Colômbia deixou de ser apenas uma disputa doméstica e passou a ser observada com atenção também no Brasil. Em meio ao avanço da violência urbana, fortalecimento de grupos armados e crescimento de candidaturas conservadoras com discurso de endurecimento contra o crime, o cenário colombiano começa a se parecer cada vez mais com um debate que já domina a política brasileira, calcado, principalmente, na segurança pública.

Continua após a publicidade
Anúncio

Durante participação no programa Mapa de Risco Internacional, do InfoMoney, o cientista político e sócio da Real Time Big Data, Bruno Soller, afirmou que a deterioração da segurança reorganizou o debate político colombiano e fortaleceu candidaturas de direita às vésperas da eleição presidencial. Para ele, o fenômeno não é isolado.

Continua após a publicidade
Anúncio

“Se a gente for olhar do México para baixo, praticamente não tem um país que se salva em relação à segurança pública”, afirmou.

A Colômbia vai às urnas em 31 de maio em meio a uma escalada de atentados políticos, ameaças contra candidatos e críticas crescentes à política de “paz total” implementada pelo presidente Gustavo Petro.

A estratégia buscava negociar simultaneamente com grupos armados e dissidências das Farc, mas passou a ser alvo de críticas após o aumento recente da violência.

Segundo Soller, o tema acabou reorganizando a oposição conservadora e abriu espaço para candidaturas mais alinhadas ao discurso de enfrentamento duro ao crime, nos moldes defendidos por líderes como Nayib Bukele, em El Salvador, e Donald Trump, nos Estados Unidos.

“Enquanto ficar se prometendo discussão só e não resolução, o tema segurança pública vai estar em alta nessa eleição”, disse.

Segurança vira eixo central da disputa

O cientista político avalia que a preocupação com violência urbana passou a funcionar como principal combustível político para candidaturas conservadoras na América Latina. Segundo ele, a sensação de insegurança ultrapassa discussões ideológicas e se conecta diretamente ao cotidiano da população.

“O brasileiro não é que está torcendo para matar todo mundo. Mas se tiver que matar para ele se sentir seguro, ele torce para que aconteça”, afirmou.

Na avaliação dele, a Colômbia hoje antecipa uma tendência que deve ganhar ainda mais força na eleição presidencial brasileira de 2026. O tema já aparece no discurso de potenciais candidatos da direita, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ambos defensores de endurecimento penal e redução da maioridade criminal.

Soller lembra que a segurança pública também se tornou um ponto vulnerável para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente por não ser uma pauta historicamente associada à esquerda brasileira.

“Esse é um problema do governo Lula, que não é identificado com essa pauta”, afirmou.

Colômbia revive debate

A discussão sobre segurança pública ganhou ainda mais força na Colômbia após o crescimento de dissidências das Farc e o avanço do narcotráfico em regiões urbanas e de fronteira. O tema se tornou central na campanha presidencial e fortaleceu candidatos que defendem repressão mais dura contra grupos armados.

Soller afirma que parte da população colombiana passou a enxergar a política de negociação de Petro como permissiva diante da reorganização de facções criminosas e guerrilhas dissidentes.

“Essa violência urbana vira de novo uma chaga na Colômbia”, disse.

Segundo ele, a deterioração da segurança pública também foi impulsionada pela crise migratória vinda da Venezuela e pela retomada de rotas do narcotráfico na região.

Debate regional chega ao Brasil

Para o cientista político, o avanço desse tipo de discurso conservador na América Latina pode influenciar diretamente a eleição brasileira. A avaliação é que o eleitorado da região passou a buscar respostas mais imediatas para a violência, mesmo diante de soluções controversas do ponto de vista democrático.

A ascensão de Bukele em El Salvador, por exemplo, virou referência frequente entre políticos conservadores latino-americanos. O presidente salvadorenho ganhou popularidade após promover prisões em massa e ampliar o endurecimento contra facções criminosas.

No Brasil, o tema também já aparece com força crescente nas pesquisas qualitativas e quantitativas, segundo Soller.

“As pessoas querem alguma resposta à questão da segurança pública”, afirmou.

Para ele, a eleição colombiana funciona hoje como uma espécie de laboratório político regional. Se a direita conseguir transformar o combate ao crime no principal eixo eleitoral do país, o movimento pode antecipar parte do debate que o Brasil verá em 2026.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários