
Programa terá R$ 30 bilhões em recursos públicos e mira categoria que governo não conseguiu regulamentar no Congresso.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu avançar por outra frente após o impasse na regulamentação do trabalho por aplicativos. Sem acordo político para aprovar regras para o setor no Congresso, o Planalto lança nesta terça-feira (19) uma linha de crédito voltada à renovação da frota de motoristas de aplicativo e taxistas.
Batizado de Move Aplicativos, o programa será anunciado por Lula em São Paulo, durante evento na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade. A iniciativa contará com até R$ 30 bilhões em recursos do Tesouro Nacional, que serão operacionalizados pelo BNDES por meio da rede bancária.
A nova linha permitirá o financiamento de veículos de até R$ 150 mil, com prazo de pagamento de até 72 meses e carência inicial de seis meses.
Segundo informações publicadas pelo Estadão, o governo trabalha com juros abaixo da Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Para motoristas de aplicativo, a taxa discutida gira em torno de 0,99% ao mês, equivalente a 12,55% ao ano. Para taxistas, a previsão é de juros ainda menores, próximos de 0,95% ao mês.
A medida chega em um momento em que o governo tenta recuperar diálogo com categorias que se tornaram numericamente relevantes nas grandes cidades, especialmente após o fracasso das negociações sobre a regulamentação do setor.
O projeto defendido pelo Ministério do Trabalho perdeu apoio ao longo de 2025 diante da resistência simultânea de plataformas digitais, motoristas e parlamentares. Nos bastidores, integrantes do Planalto atribuem parte do bloqueio político à pressão exercida pelas empresas do setor.
Sem avanço legislativo, o governo passou a apostar em medidas de crédito e estímulo econômico como forma de ampliar presença junto à categoria.
O desenho do programa ainda prevê mecanismos para limitar o acesso apenas a profissionais que atuem efetivamente no setor. Uma das exigências em discussão é que motoristas tenham realizado pelo menos 100 corridas nos últimos 12 meses.
O Planalto argumenta que existe demanda reprimida por troca de veículos entre profissionais de transporte por aplicativo. Um levantamento Datafolha realizado em 2025 com motoristas ativos da Uber apontou que 87% pretendiam comprar ou trocar de carro nos três anos seguintes.
Entre esses profissionais, 88% afirmaram que recorreriam a financiamento para realizar a compra.
A medida amplia o conjunto de programas econômicos lançados pelo governo Lula nos últimos meses voltados a segmentos de renda média e trabalhadores autônomos, estratégia que o Planalto tem intensificado às vésperas do calendário eleitoral de 2026.
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