
Escândalo envolvendo Daniel Vorcaro reaquece debate sobre corrupção na direita e eleva temor de vitória bolsonarista acima da reeleição de Lula.
O vazamento de áudios e mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, provocou uma mudança relevante no ambiente político da disputa presidencial de 2026.
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19) mostra que o caso não apenas desgastou diretamente a imagem do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas também alterou a percepção do eleitorado sobre qual campo político está mais associado a escândalos financeiros e corrupção.
Segundo o levantamento, 64,1% dos entrevistados afirmam que a divulgação das conversas enfraqueceu a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Desse total, 45,1% dizem que ela foi “muito enfraquecida”.
Ao mesmo tempo, o caso produziu um deslocamento importante na percepção política sobre o escândalo do Banco Master. Hoje, 43,3% dizem acreditar que os principais envolvidos nas fraudes financeiras investigadas são aliados de Jair Bolsonaro. Em março, esse índice era de 28,3%.

Já os que associam o caso a aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caíram de 39,5% para 32,8% no mesmo período.
O movimento reaquece um tema que vinha perdendo espaço no debate público desde 2022 da associação entre o campo da direita e denúncias de corrupção. Nos últimos anos, o bolsonarismo construiu parte de sua identidade política sobre o desgaste do PT provocado pela Lava Jato e pelos escândalos de corrupção da década passada.
Agora, os dados da AtlasIntel sugerem uma inversão parcial dessa dinâmica.
Pela primeira vez na série recente da AtlasIntel, a vitória de Flávio Bolsonaro passou a gerar mais temor no eleitorado do que uma eventual reeleição de Lula. Segundo o levantamento, 47,4% afirmam que a eleição de Flávio é hoje o cenário que mais causa “medo ou preocupação” para o futuro do país. Outros 40,5% dizem ter mais receio da continuidade do governo Lula.
O dado ajuda a explicar a piora do desempenho eleitoral do senador após o avanço do caso Vorcaro. Em eventual segundo turno, Lula aparece agora com 48,9% das intenções de voto, contra 41,8% de Flávio Bolsonaro. Em abril, os dois estavam tecnicamente empatados.
No primeiro turno, o presidente também ampliou vantagem: 47% contra 34,3% do senador.
Apesar da deterioração fora do núcleo bolsonarista, a pesquisa indica que a base ideológica ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro permanece relativamente blindada.
Entre eleitores que votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, 84,2% defendem que Flávio mantenha sua candidatura presidencial mesmo após o vazamento dos áudios.
Nesse grupo, 71,8% afirmam acreditar que as mensagens foram divulgadas com objetivo político para prejudicar o senador.
O impacto maior aparece justamente entre independentes e eleitores moderados, segmentos considerados decisivos para a eleição de 2026. Entre independentes, 46% afirmam que o caso enfraqueceu muito a candidatura do senador.
Já entre eleitores sem alinhamento ideológico claro, cresce a percepção de que o escândalo atingiu diretamente a credibilidade do campo bolsonarista.
O desgaste de Flávio ocorre em um momento de melhora gradual do ambiente político para Lula.
Além da repercussão negativa do caso Master, o governo conseguiu recuperar parte da aprovação após a divulgação do Desenrola 2.0, do fim da taxa das blusinhas e da repercussão positiva da reunião entre Lula e Donald Trump na Casa Branca.
Na semana passada, a Genial/Quaest mostrou que 43% avaliaram que Lula saiu politicamente mais forte após o encontro com o presidente americano.
No Planalto, a leitura é que a combinação entre melhora da comunicação, agenda econômica de impacto imediato e desgaste recente do principal adversário recolocou Lula em posição mais confortável na disputa presidencial.
Ainda assim, auxiliares do presidente avaliam que o cenário segue aberto e dependente da percepção econômica do eleitorado nos próximos meses.
A pesquisa AtlasIntel Bloomberg ouviu 5.032 eleitores entre os dias 15 e 18 de maio. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos e o nível de confiança do levantamento é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE sob o nº BR-06939/2026.
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