
Pressão por atualização acelerou com a IA, e cursos executivos internacionais de curta duração passaram a ganhar espaço.
Em um cenário no qual as habilidades profissionais envelhecem cada vez mais rápido, a ideia de fazer uma pausa para estudar e depois voltar ao mercado começa a perder espaço.
Segundo o relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, 44% das competências exigidas no trabalho devem mudar até 2027. O movimento foi puxado principalmente pelo avanço da inteligência artificial, automação e transformação digital.
Essa nova realidade vem acelerando a busca por modelos de aprendizado mais curtos, aplicáveis e integrados à rotina profissional. Nesse contexto, cursos executivos internacionais, certificados intensivos e programas de curta duração passaram a ser vistos por empresas e profissionais como uma forma de atualização “just-in-time”: aprender exatamente a habilidade que o mercado passou a exigir, sem interromper a carreira por longos períodos.
O acesso digital mais amplo aparece como a tendência mais transformadora até 2030 para 60% das empresas entrevistadas. Além disso, avanços em IA, automação e robótica devem acelerar mudanças em praticamente todos os setores.
A transformação, segundo o relatório, deve afetar tanto o volume de empregos quanto o tipo de habilidade exigida pelas empresas.
| Indicador | Projeção do relatório |
|---|---|
| Transformação estrutural | 22% das funções atuais devem mudar até 2030. |
| Novos empregos criados | 170 milhões |
| Empregos eliminados | 92 milhões |
| Saldo líquido | 78 milhões |
| Prováveis mudanças | 39% das competências atuais podem se tornar obsoletas ou exigir atualização. |
Mas a mudança não acontece de maneira uniforme. Profissões ligadas à tecnologia, análise de dados, inteligência artificial e transição energética aparecem entre as que mais devem crescer, enquanto funções administrativas e repetitivas tendem a perder espaço com a automação.
Entre as competências mais valorizadas pelas empresas estão pensamento analítico, resiliência, flexibilidade, liderança e influência social, uma combinação que mistura domínio tecnológico com capacidades humanas difíceis de automatizar.
Em vez de um MBA tradicional, cresce o interesse por formações concentradas em temas específicos. Entre eles, surgem IA aplicada a negócios, transformação digital, liderança em ambientes de automação, cibersegurança e gestão orientada por dados.
Outro fator que impulsiona esse mercado é o formato. Muitas escolas internacionais ampliaram programas online, híbridos e modulares após a pandemia, permitindo que profissionais acompanhem aulas sem sair do emprego ou mudar de país.
Para empresas, o tema também ganhou caráter defensivo. O próprio relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que a falta de qualificação já é considerada a principal barreira para transformação dos negócios por 63% dos empregadores entrevistados.
O levantamento mostra ainda que a necessidade de requalificação, deve atingir a maior parte da força de trabalho nos próximos anos.
| Cenário projetado até 2030 | Número a cada 100 trabalhadores |
|---|---|
| Precisariam passar por treinamento | 59 |
| Poderiam ser requalificados na função atual | 29 |
| Seriam direcionados para novas funções | 19 |
| Correm risco de perder espaço por falta de qualificação | 11 |
Diante desse cenário, 85% das empresas afirmam que pretendem investir em programas de requalificação e atualização da força de trabalho. Ao mesmo tempo, metade dos empregadores diz planejar reorganizar operações em resposta ao avanço da inteligência artificial, enquanto 40% esperam reduzir equipes em áreas nas quais a IA conseguir automatizar tarefas.
Nesse ambiente, a discussão começa a girar mais sobre velocidade de adaptação. Em muitos setores, o risco já não está apenas em perder espaço para a tecnologia, mas em demorar para acompanhar as mudanças que ela impõe ao trabalho.
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