
Presidente brasileiro tentará desarmar os planos de Flávio Bolsonaro para se vender como aliado do americano na campanha.
O presidente Luiz Inácio Lula Silva deve usar o encontro previsto para quinta-feira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar mostrar que tem prestígio internacional no momento em que enfrenta a maior crise com o Congresso Nacional neste terceiro mandato.
Depois de o Senado rejeitar na semana passada pela primeira vez em 132 anos um indicado pelo presidente para o Supremo Tribunal Federal (STF), a oposição passou a propagar que o governo acabou e que Lula será até o fim do ano “um pato manco”. O termo costuma ser usado para se referir a presidentes em fim de mandato com baixo capital político.
Com a visita aos Estados Unidos, marcada na semana passada em uma conversa por telefone entre os dois presidentes, Lula quer mostrar que ainda tem força política, apesar do revés interno com a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias.
Há expectativa também que o encontro tiro o foco da crise política enquanto Lula ainda avalia como irá reagir depois da constatação de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), atuou contra o indicado pelo presidente.
O presidente brasileiro ainda tentará, com a reunião, desarmar os planos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RS) de se vender na campanha como aliado do presidente americano.
Em discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas, em março, Flávio pediu que os Estados Unidos e o mundo “observem as eleições do Brasil com enorme atenção” e “monitorem a liberdade de expressão” e “apliquem pressão diplomática” para que as “instituições funcionem corretamente”.
Também afirmou que “o Brasil é a solução dos Estados Unidos para romper a dependência da China em relação a minerais críticos, especialmente terras-raras”. Com a visita, Lula mostraria que também tem boa relação com o presidente dos Estados Unidos. Além disso, poderia posar na campanha como “estadista” respeitado no cenário internacional.
Entre os temas que devem ser discutidos entre os dois presidentes, estão, além da guerra promovida contra o Irã, o tarifaço sobre exportações brasileiras. Em fevereiro, a Suprema Corte americana derrubou o tarifaço de 50% de Trump que atingia produtos brasileiros. Mas, dias depois da decisão, o presidente dos Estados Unidos fez questão de reafirmar que seu governo segue investigando o Brasil e a China por supostas práticas comerciais desleais.
“Se essas investigações concluírem que existem práticas comerciais desleais e que medidas corretivas são justificadas, as tarifas são uma das ferramentas que podem ser impostas”, afirmava nota divulgada, na época, pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), agência de representação comercial americana.
Outro assunto que deve ser discutido é a possibilidade de os Estados Unidos classificarem as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. As autoridades brasileiras temem que a eventual classificação traga riscos à soberania nacional. Em março, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou ao GLOBO que o governo americano considera facções criminosas brasileiras uma ameaça relevante à segurança regional.
Ainda dentro desse tema, Lula também deve discutir com Trump sobre a intenção do Brasil de fortalecer a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado, com foco em lavagem de dinheiro, tráfico de armas e intercâmbio de dados financeiros.
Os dois presidentes discutirão ainda a exploração de minerais críticos. Em fevereiro, o governo dos Estados Unidos convidou o Brasil a integrar uma nova coalizão internacional voltada ao fornecimento, à mineração e ao refino de minerais críticos. A proposta apresentada por Washington envolve parcerias para garantir o acesso a insumos como lítio, grafita, cobre, níquel e terras raras, além da criação de mecanismos de preço mínimo, com o objetivo de oferecer maior previsibilidade ao mercado e reduzir a volatilidade.
A situação política da Venezuela e o seu impacto na América do Sul será outro assunto abordado. Lula é um crítico de primeira hora da intervenção militar americana que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. A vice de Maduro, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina com o apoio dos Estados Unidos.
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