
Doença acomete cerca de 30% da população
Foi em uma consulta de rotina que a agricultora Miriam da Silva Oliveira, 56, descobriu que tinha hipertensão. Sem sintomas, a moradora do município de Maranguape lembra que foi no cardiologista que o diagnóstico veio. “Deu um pouco de alterações seguidas vezes e ele prescreveu uma medicação para tratar. Eu nunca apresentei desmaios, nem tontura e nem tive dores”, lembra.
Só depois surgiu o desconforto, seguido de dor e náusea. No Hospital Regional Vale do Jaguaribe (HRVJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), ela realizou um cateterismo e descobriu uma obstrução.

A agricultora, que também tem diabetes, diz que mudou hábitos, reduzindo sal e as gorduras, para que possa viver mais e ter uma melhor qualidade de vida. “Evito açúcar, como bastante frutas e verduras. Evito carne vermelha e dou preferência a peixe e frango”, pondera.
No dia 26 de abril, comemora-se o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. Silenciosa, a doença pode ter cunho genético ou ser secundária a outras condições, como problemas na tireoide ou nos rins. Muitas vezes, o paciente só descobre quando procura atendimento profissional devido a outras complicações. Por isso, é imprescindível que pessoas a partir de 20 anos realizem a aferição da pressão arterial pelo menos uma vez ao ano. Se houver histórico na família, esse monitoramento deve ser mais frequente.

O HRVJ é referência em cateterismos eletivos na região. A pressão alta é um dos principais fatores de risco para doença arterial coronariana, AVC, infarto, aneurisma e insuficiência renal e cardíaca.
O médico cardiologista do HRVJ, Gustavo Araripe, pontua que a doença acomete cerca de 30% da população. “Para prevenir, alguns cuidados devem ser tomados, como não fazer uso abusivo de sal, realizar atividade física regular, ter uma boa alimentação e evitar álcool, cigarro e outras drogas“, explica.
O especialista afirma ainda que a doença pode ser diagnosticada precocemente. “Muitas vezes, o paciente é assintomático e, na consulta médica, a gente pode fazer a aferição da pressão arterial junto ao histórico familiar e dar um diagnóstico precoce”, explica Gustavo.

É considerado hipertenso o paciente que tem níveis de pressão arterial maiores ou iguais a 14 por 9 (140/90 mmHg). Araripe alerta que as pessoas com os valores próximos a esse número precisam tomar alguns cuidados com relação ao estilo de vida e fazer a prevenção no que tange ao surgimento da hipertensão. “É importante evitar ingestão de gordura e preferir vegetais, verduras. A hidratação também é importante”, ressalta.
Para os pacientes que já têm o diagnóstico de hipertensão, também é de suma importância se atentar aos cuidados, inclusive com o uso correto das medicações, bem como utilizá-las conforme as prescrições médicas, além de fazer visitas regulares ao cardiologista e manter a prática regular da mudança do estilo de vida para preservar os níveis adequados de pressão arterial.
O controle da pressão arterial está disponível pelo SUS. A população pode aferir a pressão nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos municípios. A Rede Sesa também oferece acompanhamento especializado no Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH). Nos casos mais graves, o atendimento é realizado nos hospitais estaduais e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
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