
Com foco no protagonismo juvenil e na capacidade de transformar a realidade da própria comunidade, o Governo do Paraná, por meio do Grupo de Trabalho Intersetorial Estadual do PSE (GTI-E), definiu as experiências que representarão o Estado na I Mostra Nacional do Projeto Fortalece PSE (Programa Saúde na Escola). Duas iniciativas desenhadas e executadas por alunos de Pontal do Paraná, no Litoral do Estado, foram as escolhidas para levar as ideias dos estudantes paranaenses até Brasília, em evento marcado para 24 e 25 de novembro.
A escolha dos projetos foi feita de forma conjunta pelo grupo intersetorial, composto por representantes das secretarias de Estado da Saúde (Sesa) e da Educação (Seed), Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (Cosems), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e Distrito Sanitário Especial Indígena Litoral Sul (DSEI LSul) – todos em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A etapa na capital federal marca a conclusão do processo formativo do projeto, correspondente ao Curso de Promoção de Saúde e Cidadania na Escola, e funcionará como uma grande vitrine, reunindo 54 projetos selecionados em todo o território nacional.
A partir das apresentações em Brasília, poderão ser reconhecidas até dez "Experiências Inspiradoras" (duas por região do Brasil), considerando dimensões como inovação, equidade, intersetorialidade e participação juvenil. Além do reconhecimento nacional, os municípios aos quais pertencem as escolas selecionadas poderão receber apoio financeiro, na modalidade de bolsa-doação, com a finalidade de garantir a execução, a continuidade e o fortalecimento de seus Projetos Saúde-Escola.
De acordo com o secretário de Estado da Saúde, César Neves, o projeto reforça o papel da escola como celeiro de boas práticas. "A escola é o espaço mais estratégico que temos para o desenvolvimento da cidadania e da qualidade de vida. Ter os jovens de Pontal do Paraná representando o nosso Estado em Brasília prova que, quando unimos as forças da Saúde, da Educação e das universidades, nós damos voz para que eles mesmos construam ações que impactam positivamente toda a comunidade ao seu redor", disse.
O secretário estadual da Educação, Roni Miranda, destacou o protagonismo dos alunos para as mudanças na comunidade onde vivem. “A escola tem um papel fundamental na formação integral dos nossos estudantes, e isso também passa pela promoção da saúde, do bem-estar e da cidadania. Iniciativas como essa fortalecem o protagonismo juvenil e mostram que, quando os alunos participam ativamente, podem contribuir para transformar a realidade da comunidade em que vivem”, afirmou.
EXPERIÊNCIAS SELECIONADAS– As duas experiências que carimbaram o passaporte para representar o Paraná abordam temas atuais e sensíveis à juventude, unindo o ambiente educacional e a rede de saúde local.
No Colégio Cívico-Militar Hélio Antônio de Souza, o foco foi a prevenção do uso de tabaco e dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), os populares "vapes". Com protagonismo estudantil em todas as etapas, os jovens mobilizaram profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) e a comunidade para debater a comercialização indiscriminada e a desinformação sobre os danos da nicotina.
A equipe escolar explorou a forte relação entre a busca por pertencimento, a saúde mental e o uso dos dispositivos, promovendo rodas de conversa, exposições, oficinas e até a produção de vídeos para as redes sociais.
Já o Colégio Estadual Professora Renee Carvalho de Amorim concentrou seus esforços de forma direta na saúde mental. A Equipe de Aprendizagem Ativa (EAA) identificou demandas urgentes entre os adolescentes, como ansiedade, isolamento social, depressão, bullying e o sentimento de invisibilidade.
Para transformar a escola em um espaço mais inclusivo e acolhedor, os alunos articularam a rede de saúde e de assistência social. A iniciativa resultou em encontros semanais, atendimentos individualizados, rodas de conversa e na criação de um "Painel das Emoções", fortalecendo os vínculos entre os estudantes.
O PROJETO NO PARANÁ– Estruturada em 2023 pelo Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação e Instituições de Ensino Superior, a iniciativa nacional busca qualificar a gestão e integrar ainda mais os serviços da Atenção Primária à Saúde (APS) com as comunidades escolares.
No Paraná, o foco da atual etapa da iniciativa envolveu 13 escolas distribuídas em sete municípios selecionados: Pontal do Paraná, Curitiba, São Miguel do Iguaçu, Apucarana, Loanda, Nova Laranjeiras e Toledo.
Nessas localidades, vem sendo desenvolvido o curso online de "Promoção de Saúde e Cidadania na Escola". A formação capacita os alunos como Agentes Promotores da Saúde, Ciência, Cultura e Cidadania. O resultado prático exigido das turmas foi justamente a elaboração do Projeto Saúde-Escola, construído a partir do diagnóstico das reais demandas de cada instituição, abordando temas como direitos humanos, saúde mental, cultura de paz e prevenção às violências.
A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, enfatiza o ganho a longo prazo para a rede pública. “Esse projeto representa uma estratégia de fortalecimento gigantesca para a gestão intersetorial. Ele aproxima o Sistema Único de Saúde do ambiente escolar e estimula a construção coletiva. É a Atenção Primária atuando lado a lado com a Educação para alinhar iniciativas e cuidados às necessidades reais de cada território”, afirmou.
A SELEÇÃO NA MOSTRA ESTADUAL– O passaporte para a etapa nacional foi carimbado após a I Mostra Estadual do Projeto Fortalece PSE, promovida no início deste mês. Realizado em formato híbrido na sede da Sesa, em Curitiba, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Grupo de Trabalho Intersetorial Estadual, o evento serviu como vitrine para que equipes de aprendizagem de sete escolas paranaenses apresentassem os projetos desenvolvidos ao longo do ano.
A chefe da Divisão de Promoção da Saúde da Sesa, Cristina Klobukoski, ressalta a riqueza das apresentações que embasaram a escolha final. Segundo ela, a Mostra Estadual foi uma grande oportunidade de compartilhar experiências, dar visibilidade e avaliar as iniciativas que os próprios alunos desenharam. “Quando o estudante faz o diagnóstico do seu território escolar e propõe uma ação em saúde de forma participativa, a adesão da comunidade é muito maior e a transformação é real", disse.
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