
Carta com propostas econômicas não chega à Casa Branca em meio à crise energética da ilha.
Uma tentativa do entorno do poder em Cuba de abrir diálogo direto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fracassou antes mesmo de chegar à Casa Branca. A iniciativa, conduzida fora dos canais diplomáticos formais, buscava discutir alívio de sanções e possíveis acordos econômicos em um momento de forte deterioração da situação interna da ilha.
A articulação partiu de Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto e assessor próximo de Raúl Castro. Segundo reportagem do Wall Street Journal, a carta enviada incluía propostas de investimentos e pedidos para flexibilizar as restrições impostas por Washington, além de alertas sobre a preparação do regime diante de um eventual cenário de confronto militar.
O plano previa o uso de um intermediário privado para levar a mensagem diretamente aos Estados Unidos. Um empresário de Havana, ligado ao setor de turismo de alto padrão, foi encarregado de transportar o documento. A estratégia, porém, foi interrompida na chegada ao país: ele foi barrado por agentes de imigração em Miami e retornou a Cuba sem entregar a carta.
O episódio ocorre em meio ao agravamento da crise energética cubana, intensificada após restrições ao fornecimento de petróleo. A ilha perdeu fontes importantes de abastecimento nos últimos meses, o que tem pressionado o funcionamento da economia e ampliado os efeitos sociais da escassez.
A tentativa de contato direto é interpretada como um movimento para contornar a linha mais rígida da diplomacia americana, liderada pelo secretário de Estado Marco Rubio, defensor do aumento da pressão sobre o regime cubano. Ao buscar interlocução direta com Trump, o entorno de Raúl Castro sinaliza aposta em uma eventual negociação mais pragmática, centrada em acordos econômicos.
A movimentação também ocorre em um ambiente de tensão crescente. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou recentemente que o país está preparado para responder a uma possível ação militar dos Estados Unidos. Do lado americano, Trump já mencionou a possibilidade de uma intervenção na ilha, ainda que sem detalhar condições ou prazos.
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