
O enfrentamento ao bullying e ao cyberbullying passa pela construção de uma cultura escolar baseada no respeito, na empatia e no diálogo. Nesse sentido, no Dia Nacional de Combate aoBullyinge à Violência na Escola, celebrado nesta terça-feira (7/4), a Secretaria da Educação (Seduc) reforça o compromisso com a promoção de ambientes escolares seguros, acolhedores e inclusivos. Instituída por lei federal, a data busca mobilizar a sociedade para a importância de prevenir e enfrentar diferentes formas de violência no contexto educacional.
Na Rede Estadual do Rio Grande do Sul, esse trabalho ocorre de forma contínua por meio do Núcleo de Cuidado e Bem-Estar Escolar (NCBEE), que atua na promoção da cultura de paz, no fortalecimento da convivência e na prevenção de conflitos. A iniciativa parte da compreensão de que o cuidado é uma responsabilidade compartilhada entre escola, Coordenadorias Regionais de Educação, órgão central, famílias e rede intersetorial de políticas públicas.
Criado em 2023, o Núcleo desenvolve estratégias para qualificar o clima escolar e apoiar as instituições de ensino na construção de relações mais saudáveis. Entre 2024 e 2025, foram formados mais de 1.040 facilitadores para a condução dos Círculos de Construção de Paz, práticas restaurativas que incentivam o diálogo, a escuta ativa e a resolução coletiva de conflitos. As ações alcançam estudantes, professores e equipes diretivas, contribuindo para ambientes mais colaborativos e respeitosos.
Na educação, área tratada como prioridade pelo governador Eduardo Leite, o compromisso do governo é garantir o futuro do estudante, do professor e da sociedade.
Acompanhamento contínuo
O trabalho também se baseia no acompanhamento contínuo das situações vivenciadas pelas escolas. Dados da plataforma da Comissão Interna de Prevenção a Acidentes e Violência Escolar (Cipave+) indicam que comportamentos como apelidos pejorativos e atitudes com intenção de constranger colegas estão entre as formas mais recorrentes de bullying e cyberbullying.
No ambiente escolar, a sala de aula é o espaço onde esses episódios aparecem com maior frequência. Já no meio digital, a diversidade de plataformas e a menor supervisão direta de adultos tornam o enfrentamento mais complexo, exigindo uma atuação ainda mais integrada entre escola, família e atores da rede de proteção.
Como identificar e notificar casos debullying
Outro ponto importante destacado pelo Núcleo é a necessidade de compreender corretamente o que caracteriza o bullying. De acordo com a legislação vigente, trata-se de um comportamento intencional, repetitivo e, muitas vezes, sem motivação aparente — o que o diferencia de conflitos pontuais. Essa distinção é fundamental para qualificar o olhar das escolas e garantir respostas mais adequadas a cada situação.
Quando um caso é identificado, o primeiro passo é o registro na plataforma Cipave+, canal oficial de comunicação com o Núcleo. A partir dessa notificação, as equipes das Coordenadorias Regionais de Educação acompanham a situação, analisam as medidas já adotadas pela escola e, em conjunto com a equipe local, constroem estratégias de intervenção. Esse processo pode envolver orientações técnicas, visitas presenciais, acompanhamento remoto e, quando necessário, o acionamento da rede intersetorial, incluindo serviços de saúde, segurança e assistência social, especialmente em situações que demandam atenção continuada.
Atuação integrada fortalece a prevenção
Atualmente, a rede conta com quase 2 mil comissões ativas, mobilizando a comunidade escolar na construção de soluções e no cuidado coletivo. Pela plataforma Cipave+, estão registradas, desde 2023, mais de 6 mil ações de prevenção desenvolvidas pelas próprias escolas, evidenciando o protagonismo local na promoção de ambientes mais seguros.
Esse trabalho é complementado pelo suporte de equipes multiprofissionais distribuídas nas Coordenadorias Regionais de Educação. São mais de 60 profissionais das áreas da psicologia e do serviço social que oferecem apoio técnico e psicossocial às escolas, contribuindo tanto para o atendimento de estudantes em situação de vulnerabilidade quanto para o fortalecimento das ações de convivência.
A formação dos profissionais da educação também é parte central dessa estratégia. A rede conta com uma plataforma de cursos complementares e materiais de apoio disponíveis na Cipave+, além dos módulos do Protocolo de Paz e Segurança nas Escolas. Já foram lançados documentos orientadores sobre o combate a ameaças às escolas, violência racial, de gênero e LGBTQIA+fobia. Além disso, em 2026, está previsto o lançamento de um protocolo específico para o enfrentamento do bullying e do cyberbullying.
Texto: Mariana Gomes/Ascom Seduc
Edição: Secom
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